Ex-subgerente bancária nega participação em plano para desviar dinheiro do Montepio
Hoje 16:06
— Lusa/AO Online
A arguida, que à data dos factos era
subgerente do balcão do Montepio de Esmoriz, em Ovar, começou a ser
julgada juntamente com a gerente do mesmo balcão, que não compareceu à
sessão por motivos de doença, e dois sócios-gerentes de sociedades
arguidas.Os quatro arguidos estão acusados
de dezenas de crimes de falsidade informática e burla qualificada.
Entre os arguidos estão ainda 13 sociedades que também respondem pelos
mesmos crimes.Perante o coletivo de
juízes, a ex-subgerente bancária negou ter feito parte do plano
elaborado pela gerente, como refere a acusação do Ministério Público
(MP), alegando que agiu com base na confiança que depositava na sua
superior hierárquica e não verificava os dados apresentados nos pedidos
de financiamento.“Ela dava o despacho e eu dava a segunda assinatura. Atuava de cruz. Eu confiei. Não devia, eu sei”, referiu.A arguida afirmou ainda ter sido enganada pela sua superior hierárquica, que se terá aproveitado da sua fragilidade.“Eu não estava bem. Tinha problemas familiares e estava com privação de sono. Ela aproveitou-se que eu estava frágil”, referiu.A
ex-subgerente, que deixou de trabalhar na banca há cinco anos, explicou
que sempre que era aberta uma conta empresa ia conhecer o local, mas
admitiu que, na altura em que ocorreram os factos, não o fez com a
frequência devida: “Quando ia para visitar as empresas acontecia sempre
algo que impedia a visita”, afirmou.Os factos ocorreram entre março de 2018 e maio de 2019.A
acusação do MP refere que a gerente do balcão do Montepio elaborou um
plano, ao qual a subgerente de imediato aderiu, que consistia na
aprovação, por parte das mesmas, de pedidos de financiamento dirigidos à
assistente por clientes que não tinham, logo à partida, intenção nem
meios de os liquidar.Nesse sentido, as
arguidas instruíram os outros dois arguidos, um homem de 68 anos e uma
mulher de 75 anos, ambos aposentados, a constituírem as sociedades
comerciais das quais cada um se tornou respetivamente gerente para, em
nome destas, apresentarem os pedidos de financiamento.De
acordo com a investigação, as propostas de financiamento eram
submetidas pelas arguidas introduzindo dados relativos a tais sociedades
e seus sócios gerentes que não tinham correspondência com a realidade,
quer a nível do fim a que se destinava cada um daqueles financiamentos,
quer no que concernia à situação dos sócios gerentes das sociedades
proponentes.A acusação refere que as
referidas sociedades, na sua quase totalidade, nunca chegaram, sequer, a
exercer a atividade comercial para que tinham sido criadas.Com
esta conduta, segundo os investigadores, os arguidos obtiveram uma
vantagem patrimonial de cerca de 800 mil euros, causando prejuízo
patrimonial à assistente no mesmo montante.