Ex-secretária de Lacerda Sales diz que se sente “um bode-expiatório”
Caso gémeas
20 de set. de 2024, 17:53
— Lusa/AO Online
“Temos
um ex-secretário de Estado da Saúde a negar qualquer intervenção neste
caso e a levantar suspeições em relação a mim, que era secretária do
gabinete, supostamente de confiança. Sim, possivelmente [sou]
bode-expiatório”, criticou Carla Silva, em resposta à deputada do BE
Joana Mortágua.Carla Silva depôs na
comissão parlamentar de inquérito ao caso das gémeas tratadas em 2020 no
Hospital de Santa Maria (Lisboa) com o medicamento Zolgensma.De
acordo com o relatório da Inspeção Geral de Atividades em Saúde (IGAS)
sobre este caso, foi Carla Silva quem contactou o Hospital de Santa
Maria para marcar a consulta das gémeas - uma informação já negada por
Lacerda Sales. No relatório, o IGAS
explicou que Carla Silva remeteu informações como “a identidade das
crianças, data de nascimento, diagnóstico e datas em que os pais
poderiam estar presentes” para o Hospital de Santa Maria sob orientação
do ex-secretário de Estado.Na audição de
hoje, que durou mais de duas horas e meia, a ex-secretária de Lacerda
Sales escusou-se a responder se estava zangada com o ex-governante e
esclareceu que o pedido à responsável pelo departamento de pediatria do
Hospital de Santa Maria, Ana Isabel Lopes, “foi de marcação de
consulta”.“Independentemente de eu ter
colocado no assunto do email pedido de avaliação clínica ou ter falado
em sinalização, foi um pedido de marcação de consulta”, disse aos
deputados.Em resposta à deputada do Chega
Cristina Rodrigues, Carla Silva indicou que hoje atuaria "de forma
diferente” e que “não voltaria a fazer o mesmo”.“Hoje
tenho uma visão geral de tudo o que está envolvido neste processo e,
claro, faria de forma diferente”, referiu, sublinhando que, se fosse
agora, teria pedido a Lacerda Sales para enviar o email para
o hospital, em nome próprio.A secretária
lembrou ainda que nunca mais voltou a “ter contacto com Nuno Rebelo de
Sousa” e não sabia se Lacerda Sales conhecia o filho do Presidente da
República.“Eu não sei [o que está por trás
deste processo]. Eu não sei. Eu estou a dizer a verdade. Eu tenho um
secretário de Estado a levantar suspeitas em relação a mim e à minha
verdade”, acrescentou.A antiga secretária de Lacerda Sales foi hoje ouvida no parlamento sem exibir a sua imagem.A audição foi transmitida, via televisão, pelo Canal Parlamento.No
intervalo do inquérito a Carla Silva, antes do início da segunda ronda,
o presidente da comissão, Rui Paulo Sousa, disse aos jornalistas que os
serviços da Assembleia da República disponibilizaram “dois ou três
guardas da GNR” para fazer o acompanhamento da ex-secretária do
ex-governante.No final, Rui Paulo Sousa
pediu desculpa a Carla Silva por as câmaras do Canal Parlamento terem
gravado por breves segundos a sua imagem.