Ex-presidente do parlamento Reis Leite diz que qualquer solução será frágil
Açores/Eleições
29 de out. de 2020, 16:05
— Lusa/AO Online
“Qualquer uma
das soluções que teoricamente se possam encontrar pelo PSD e pelo PS no
parlamento vão ser de governos muito frágeis. Não auguro grandes
soluções de viabilidade e de estabilidade para um parlamento cuja
maioria é formada por uma série de partidos com programas e propostas
muito diversas e, nalguns casos, contraditórias tanto para o PSD como
para o PS”, declarou à agência Lusa.De
qualquer forma, acrescentou, a campanha para as eleições de 25 de
outubro permitiu concluir que “estavam todos de acordo, menos o PS”,
sobre este partido ter “deixado de ter condições para governar com
estabilidade e equilíbrio os Açores”.“Vejamos
agora quais são os que vão contradizer a sua opinião e estão dispostos a
formar governo com o PS. Acho que isso é que é a questão”, frisou o
também historiador, salvaguardando que, “aparentemente”, se pode estar
perante um cenário de eleições antecipadas, a curto prazo. Reis
Leite referiu que se fosse há alguns anos, em 1996, “este problema
também teoricamente se poderia pôr e, na altura, o PS (liderado por
Carlos César) fez divulgar que nunca aceitaria uma solução em que o
partido mais votado não estivesse no governo”, tendo “depois mudado de
ideias, introduzindo em Portugal o costume de que a maioria parlamentar é
que decide”.Em 1996, o PS/Açores chegou
ao poder após 20 anos de liderança do PSD, mas com maioria relativa,
governando com o apoio do CDS-PP.Nas
eleições regionais de domingo, o PS perdeu a maioria absoluta nos
Açores, que mantinha desde 2000, só tendo conseguido eleger 25 deputados
do total de 57 parlamentares da Assembleia Legislativa Regional, com
40.701 votos (39,13%).O PSD, com 33,74%
(35.091 votos), garantiu 21 mandatos, seguido pelo CDS-PP, com 5,51%
(5.734 votos), que elegeu três deputados, além de um parlamentar em
coligação com o PPM (com 115 votos).O Chega, que teve 5,06% (5.260 votos), elegeu dois deputados, tal como o BE, que alcançou 3,81% (3.962 votos).O
PPM obteve 2,34% (2.431 votos) e elegeu um deputado, além de um outro
eleito em coligação com o CDS-PP. A Iniciativa Liberal e o PAN
conseguiram 1,93% dos votos, elegendo um deputado cada.Apesar
de ter vencido as legislativas, em números absolutos o PS perdeu 2.573
votos em relação a 2016, enquanto o PSD, o segundo mais votado, cresceu,
tendo obtido mais 6.301 votos do que há quatro anos.