Ex-presidente da Câmara Valdemar Alves condenado a sete anos de prisão
Pedrógão Grande
31 de jan. de 2022, 15:20
— Lusa/AO Online
Valdemar Alves
tinha sido pronunciado por 20 crimes de prevaricação de titular de cargo
político, 20 crimes de falsificação de documento e 20 crimes de burla
qualificada, cinco dos quais na forma tentada, os mesmos do despacho de
acusação.O coletivo de juízes deu como
provada a prática pelo antigo autarca de 13 crimes de prevaricação de
titular de cargo político e 13 crimes de burla qualificada, alguns dos
quais na forma tentada.Valdemar Alves foi
ainda condenado a pagar solidariamente, juntamente com mais 12 arguidos,
os pedidos cíveis formulados pelo Fundo Revita (109.383,30 euros), pela
parceria União das Misericórdias Portuguesas/Fundação Calouste
Gulbenkian (185.233,33 euros) e pela Cruz Vermelha Portuguesa
(111.579,01 euros), totalizando 406.195,54 euros.O
Revita, criado pelo Governo, é um fundo de apoio às populações e à
revitalização das áreas afetadas pelos incêndios ocorridos em junho de
2017. Agrega a recolha de donativos em dinheiro, em espécie de bens
móveis ou em serviços.A leitura do
acórdão foi
antecedida de uma comunicação, por parte da presidente do tribunal
coletivo, de alteração não substancial dos factos e da qualificação
jurídica.Além de Valdemar Alves, foram
condenados o antigo vereador Bruno Gomes, a seis anos de prisão efetiva,
e mais 12 arguidos, de um total de 28.No
final, a magistrada judicial declarou que “se perceba, arguidos,
comunidade”, que “não vale tudo” para se aceder a fundos alheios,
considerando, que com a sua postura, os arguidos “conseguiram minar a
confiança de todos na palavra solidariedade”.O
julgamento das alegadas irregularidades na reconstrução de casas em
Pedrógão Grande após os incêndios de junho de 2017, com 28 arguidos,
começou em 26 de outubro de 2020 e terminou hoje com a leitura do
acórdão no Tribunal Judicial de Leiria.O
incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017 em Pedrógão Grande,
distrito de Leiria, e que alastrou a concelhos vizinhos, provocou 66
mortos e mais de 250 feridos, sete dos quais graves, e destruiu meio
milhar de casas, 261 das quais habitações permanentes, e 50 empresas.