Ex-PR francês Sarkozy recorreu e volta a tribunal por financiamento líbio
Hoje 17:52
— Lusa/AO Online
O
caso regressa aos tribunais depois de Sarkozy ter recorrido da
condenação em primeira instância, na qual foi considerado culpado.Condenado
a cinco anos de prisão, dos quais Sarkozy cumpriu três semanas, esta
foi a sentença mais severa proferida até agora contra o ex-presidente,
que ocupou o Palácio do Eliseu entre 2007 e 2012, sendo que também tem
duas condenações, confirmadas pelo Supremo Tribunal, a prisão
domiciliária.O caso do financiamento
líbio, pelo qual foi condenado por conspiração criminosa, é, sem dúvida,
o mais constrangedor no seu já extenso historial judicial, como
demonstra o facto de ter sido o primeiro ex-chefe de Estado da União
Europeia a ser preso para cumprir uma pena criminal.O
tribunal considerou provado que existiu um “pacto de corrupção” ao
longo de 2005 entre emissários do então ministro do Interior e altos
responsáveis do regime líbio.Embora não
houvesse provas dos alegados pagamentos à campanha de Sarkozy revelados
por várias testemunhas, os juízes consideraram a intenção suficiente.Sarkozy,
de 70 anos, esteve preso entre 21 de outubro e 10 de novembro de 2025,
antes de ser libertado sob fiança devido à sua idade.Dois
dos seus aliados políticos mais próximos - o ex-secretário-geral do
Eliseu e ex-ministro do Interior Claude Guéant e o também ex-ministro do
Interior e amigo de longa data de Sarkozy Brice Hortefeux - foram
condenados por se terem reunido com Abdallah Senoussi, genro de Khadafi e
segundo homem mais poderoso do regime de Tripoli. De
acordo com a acusação, Senoussi estaria disposto a injetar grandes
somas de dinheiro — até 6,5 milhões de euros — em troca de não ser
condenado a prisão perpétua pelo atentado bombista de 1989 contra um
avião comercial, que matou 170 pessoas, 54 das quais francesas.Para
o julgamento de recurso, o tribunal da Île de la Cité vai reavaliar,
até 03 de junho, os testemunhos que levaram à condenação de Sarkozy.Embora
o ex-presidente tenha negado qualquer conhecimento destes encontros
durante o julgamento inicial, os juízes consideraram improvável que os
dois homens, seus amigos pessoais e colaboradores próximos, não os
tivessem relatado.O ex-presidente manteve
sempre a sua alegação de inocência, acusando os juízes de procurarem
vingança pelos anos em que esteve no poder, período em que não cooperou
com a justiça.