Ex-líder parlamentar João Oliveira defende rutura total com política do PS

PCP

13 de nov. de 2022, 02:39 — Lusa /AO Online

Numa intervenção na Conferência nacional que se realiza hoje e domingo no Alto do Moinho, em Corroios, Seixal, João Oliveira foi claro ao afirmar que a maioria absoluta do PS representa uma alteração da correlação de forças, que acarretou uma “profunda degradação da vida nacional”.Essa maioria, segundo disse, foi conseguida através de “uma operação de chantagem e mistificação, que visou criar as condições para romper com o percurso de defesa, reposição e conquista de direitos com o qual o capital nunca se conformou”.Esta nova situação, afirmou, dita a “necessidade de rutura com uma politica de direita”.“Depois de um período em que se viu condicionado pela influência do PCP e do PEV nas decisões nacionais, o PS utiliza agora a sua maioria absoluta para retomar a todo o vapor as opções da política de direita”, afirmou o ex-deputado.Segundo João Oliveira era esse o objetivo do PS, e foi em função dele que “em outubro de 2021 provocou a rejeição do Orçamento do Estado e a precipitação de eleições”, não tendo sido preciso passarem seis meses para que retomasse essa política.Assim sendo, Oliveira considerou que se antes era possível avançar [na defesa dos interesses dos trabalhadores], “a correlação de forças hoje existente com a maioria absoluta do PS determina já o caminho oposto”.O PS, acusou, está “a cumprir todo o caderno de encargos do capital que ficou em suspenso desde 2015, levando por diante opções que há muito o PCP tem denunciado e combatido, como acontece com a acelerada destruição do SNS ou a agudização das desigualdades na repartição da riqueza nacional entre o capital e o trabalho”.Segundo João Oliveira, para que se concretize essa rutura, é crucial alargar a “frente social de luta”, envolvendo amplos setores, “todos os que veem os seus direitos atingidos pela política de direita” e estão interessados em reverter o atual rumo político.E traçou as linhas segundo as quais é preciso agir, que passam pelo reforço do partido e a sua capacidade de mobilização e intervenção, agitando “consciências”.“Tomar a iniciativa, reforçar o partido, responder às novas exigências não é uma consigna de circunstância, é um programa para a ação imediata que nasce das necessidades do povo e dos trabalhadores”, concluiu.