Ex-diretora financeira nega ter acompanhado sociedade usada para delapidar banco
20 de out. de 2025, 17:41
— Lusa/AO Online
No julgamento, em Lisboa, a ex-diretora do
Departamento Financeiro, de Mercados e de Estudos (DFME) do Banco
Espírito Santo (BES), Isabel Almeida sublinhou que as questões da
Eurofin eram tratadas por outros elementos do DFME, diretamente com o
então administrador financeiro Amílcar Morais Pires, também arguidos,
sem que a dirigente interviesse nos processos."Os
temas relacionados com a Eurofin eram temas tratados diretamente pelo
doutor Morais Pires com os responsáveis das áreas. No meu tempo, foram o
doutor Pedro Costa e o doutor António Soares", afirmou a ex-diretora
financeira.Confrontada pelo Ministério
Público com 'e-mails' a si dirigidos por estes subordinados, de 2005 a
2012, com questões da esfera daquela sociedade suíça, Isabel Almeida
assegurou não conseguir "decifrar, explicar, enquadrar" o conteúdo das
mensagens trocadas."Tenho razoável memória
sobre diversos assuntos, diversos temas, sobretudo aqueles em que eu
estava envolvida à data. Agora, muito pouco daquilo faz sentido",
insistiu, sustentando que "não era pontualmente chamada, era
pontualmente referenciada".Perante a
perplexidade expressa pela presidente do coletivo de juízes, Helena
Susano, por a arguida não saber o que cada pessoa fazia "dentro do seu
departamento", a antiga diretora do DFME do BES reiterou que "a Eurofin
não era o tema principal da atividade" dos seus subordinados e "estava
devidamente enquadrada com o doutor Morais Pires". Isabel
Almeida admitiu, ainda assim, que sabia que a Eurofin se financiava
"com uma linha de crédito que tinha junto" do Grupo Espírito Santo
(GES), apelidada 'our friends' ('nossos amigos', em inglês), e que o
assunto passava por si quando a sociedade comunicava algum
desequilíbrio.O processo principal da
falência do BES/GES, ocorrida em 2014, conta atualmente com 18 arguidos,
incluindo o ex-presidente do banco, Ricardo Salgado, de 81 anos e
doente de Alzheimer.O Ministério Público
estima que os atos alegadamente praticados entre 2009 e 2014 pelos
ex-quadros do BES e de outras entidades do GES tenham causado prejuízos
de 11,8 mil milhões de euros ao banco e ao grupo.Em causa estão crimes de associação criminosa, corrupção no setor privada e burla qualificada, entre outros.O julgamento decorre desde 15 de outubro de 2024 no Tribunal Central Criminal de Lisboa.