Ex-deputado do Chega/Açores fica na Assembleia Regional como independente
14 de jul. de 2021, 16:45
— Lusa/AO Online
“Obviamente que
vou passar à qualidade de independente, porque fui eleito pelos
açorianos”, justificou o, até agora, líder parlamentar do Chega, em
declarações aos jornalistas na sede do parlamento açoriano, na Horta,
depois de, em Ponta Delgada, o presidente do partido, André Ventura,
anunciar que o deputado deixava de representar o partido na Assembleia
Regional.Carlos
Furtado, que se queixou de ter sido alvo de “ataques pessoais por parte
de dirigentes do Chega”, prometeu manter, como independente, os acordos
de incidência parlamentar que o Chega assumiu após as eleições
regionais, com o atual governo de coligação PSD, CDS e PPM. Com
Carlos Furtado como independente, o Chega, que alcançou dois mandatos
nas eleições regionais de outubro de 2020, mantém um deputado na
Assembleia Legislativa dos Açores.O PS venceu as eleições legislativas regionais, mas perdeu a maioria absoluta que detinha há 20 anos, elegendo 25 deputados.PSD,
CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo
de governação. A coligação assinou ainda um acordo de incidência
parlamentar com o Chega e o PSD um acordo de incidência parlamentar com o
Iniciativa Liberal (IL).Com
o apoio dos dois deputados do Chega e do deputado único do IL, a
coligação de direita somou 29 deputados na Assembleia Legislativa dos
Açores, um número suficiente para atingir a maioria absoluta, o que
levou à indigitação de José Manuel Bolieiro como presidente do Governo
Regional, no dia 07 de novembro de 2020.Hoje,
Carlos Furtado notou que o resultado eleitoral obtido pelo Chega nas
eleições legislativas regionais de outubro (5,2% dos votos), se deveu,
em parte, à figura do líder nacional do partido, André Ventura, mas
também ao trabalho feito na região, pela estrutura regional do partido,
que permitiu concorrer a sete dos nove círculos de ilha. André
Ventura anunciou hoje que o Chega retirava a confiança política ao
líder parlamentar do Chega nos Açores, manifestando o desejo de que
Carlos Furtado renunciasse ao mandato.Carlos
Furtado lamentou a decisão da estrutura nacional do partido e
queixou-se de ter sido alvo de ataques pessoais por parte de dirigentes
do Chega, que lamentou nunca terem sido admoestados por isso. “Até
há pouco, eu era a segunda figura mais importante do partido, era o
segundo deputado eleito pelo partido, e a desconsideração que fui tendo
por parte do partido nacional é que fui sendo alvo de vários ataques
pessoais por parte de militantes de má-fé do partido”, revelou.De
acordo com Carlos Furtado, “apesar das inúmeras sugestões que foram
feitas, nunca foi feita a devida admoestação desses militantes”. André
Ventura anunciou hoje a intenção de reunir com o presidente do Governo
Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, no sentido de clarificar o
ponto de situação sobre o acordo de incidência parlamentar que existe na
Região, subscrito pelo Chega. Carlos
Furtado entende que as declarações de André Ventura, a este propósito,
revelam, uma vez mais, a “ingerência” da direção nacional do Chega em
relação aos Açores, acusando mesmo o líder partidário de estar a fazer
“chantagem com os Açores”. “André
Ventura está a aproveitar, outra vez, o momento para fazer chantagem
com os Açores, e isso não é certo. Não é assim que se fazem as coisas”,
criticou.O deputado esclareceu que as acusações de que foi alvo, de alegada proximidade com o PSD, não fazem sentido.“Não
tenho andado a mendigar as atenções, por parte do PSD, como o André
Ventura tem feito com o PSD a nível nacional”, alertou. Questionado
pelos jornalistas sobre o assunto, à margem de uma visita à Escola do
Mar, na Horta, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel
Bolieiro, disse que não comenta a vida interna de outros partidos.Sobre
a reunião que Ventura disse querer ter com Bolieiro, o presidente do
Governo Regional esclareceu que o encontro ainda não aconteceu por falta
dificuldade de agenda, referindo que se vai realizar logo que houver
possibilidade.