Ex-comissário Rui Marques acusa AIMA de ter perdido o “I da integração”
1 de set. de 2025, 16:53
— Lusa/AO Online
“A AIMA, em
resultado de se encontrar inundada com tantos casos de regularização,
parece ter perdido o I da integração”, afirmou Rui Marques durante um
colóquio sobre migrações, considerando que a instituição “tem muito
caminho para andar” nesta matéria e as “suas respostas podem ser mais
fortes e mais abrangentes”.A isso se soma a
falta de estratégias locais, acusou o coordenador do grupo de trabalho
Consenso Imigração, que organizou hoje um colóquio na Universidade de
Lisboa, recordando que a “integração e inclusão jogam-se no domínio da
proximidade”.“Menos de dez por cento dos
municípios têm planos de integração de migrantes”, salientou o
dirigente, considerando que é exemplo desta falta de atenção o facto de o
Ministério da Educação não ter renovado a contratação dos mediadores
culturais para as escolas.“Não foi
possível a contratação de mediadores para as nossas escolas,
[porventura] por razões burocráticas”, mas a consequência é que o ano
letivo está a começar sem mediadores quando há “mais de 150 mil filhos
de imigrantes” nas escolas, salientou.Neste
contexto, o Consenso Imigração pretende uma “visão positiva, realista e
humana da imigração em Portugal”, procurando “ancorar este tema no
respeito da dignidade humana”.“Uma das
missões mais urgentes nestes dias é o combate à polarização e o
compromisso pelo debate e pelo consenso”, contrariando os “engenheiros
do caos que se movimentam na sociedade portuguesa” e se se alimentam da
“raiva multiplicada por algoritmo”.“O ódio
é um veneno que nos mata a todos e representa a vitória de quem nos
quer ver em guerra uns com os outros”, afirmou Rui Marques, reafirmando a
“defesa do reagrupamento familiar como um direito fundamental” e a
procura de “um compromisso em torno das alterações da lei da
nacionalidade”.Portugal necessita de “boas
políticas de integração e inclusão dos imigrantes”, porque sem elas
existem “riscos graves de injustiça e deslaçamento social”, acrescentou.Na
abertura do colóquio “Imigração: Em busca de um consenso”, foi lida uma
mensagem do Presidente da República que elogiou a “força de ação
organizada da sociedade civil”, com “foco nos valores que realmente
interessam”.Subscrevendo os princípios do
“consenso informado” e da “dignidade humana” que definem o grupo de
trabalho, Marcelo Rebelo de Sousa pediu a “ampla colaboração entre as
diferentes esferas da sociedade” portuguesa, que dê “prioridade às
evidências em detrimento das emoções”.“A
imigração é um tema que nos interpela, e vai-nos continuar a interpelar
enquanto sociedade de responsabilidades coletivas”, referiu o chefe de
Estado, defendendo a “necessidade de se construir um consenso informado
em relação à imigração, nacionalidade e integração”.Por
seu turno, o reitor da Universidade de Lisboa, Luís Ferreira, recordou
que “as migrações são uma realidade incontornável das realidades
humanas”.“Não há sociedades paradas no tempo, as paradas são as sociedades extintas”, sublinhou.Criado
em meados de junho, o grupo Consenso Imigração inclui quatro antigos
alto comissários, a ex-secretária de Estado Catarina Marcelino, as
investigadoras Lucinda Fonseca e Catarina Reis Oliveira e os dirigentes
associativos Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa das
Migrações, e Paulo Mendes, presidente da Associação dos Imigrantes dos
Açores.