Ex-autarca do Nordeste acusado de abuso de poder, peculato e falsificação
23 de dez. de 2024, 14:45
— Lusa/AO Online
De
acordo com a acusação, os crimes, alguns cometidos de forma isolada e
outros envolvendo mais autarcas e funcionários do município, terão
ocorrido entre 2014 e 2017, altura em que Carlos Mendonça, eleito pelo
PS, presidia à Câmara Municipal do Nordeste, na ilha de São Miguel.A acusação fala da existência de
acordos entre o antigo autarca e Henrique Resendes, na altura presidente
da Junta de Freguesia da Ribeira das Tainhas, e atual secretário do PS
nos Açores, que era também proprietário de uma empresa que efetuava
serviços para o município.Ambos terão
combinado, antes das eleições autárquicas de 2013, que a empresa
propriedade de Henrique Resendes seria beneficiada pela autarquia,
“através de contratos de ajuste direto, para a compra de bens e
serviços, a preços inflacionados”, caso Carlos Mendonça assumisse a
presidência do município.O autarca
socialista terá também concedido “apoios a associações sem fins
lucrativos” que, alegadamente, eram depois encaminhados para a empresa
de Henrique Resendes, a troco de pagamento de serviços, que nunca terão
sido realizados.Além de Carlos Mendonça, o
Ministério Público da Comarca dos Açores pretende levar a tribunal
outros nove arguidos, envolvidos no mesmo processo, entre eles, Milton
Mendonça, vice-presidente do município à altura dos factos, Vânia da
Graça Ferreira, que era secretária do presidente, e Marco Filipe,
presidente da empresa municipal Nordeste Ativo.A
acusação refere que os arguidos obtiveram vantagens ao utilizarem,
indevidamente, mais de 200 mil de euros, e exige, por isso, que Carlos
Mendonça seja condenado a pagar ao Estado cerca de 104 mil euros, que
Milton Mendonça reponha outros 66 mil euros, mais 59 mil imputados a
Marco Filipe e ainda 29 mil euros a Vânia Ferreira.