Ex-aluna da UMinho cria pulseira que "engana" mosquitos e previne picadas
8 de ago. de 2022, 11:35
— Lusa/AO Online
Em comunicado, a
UMinho refere que aquela tecnologia, chamada X-OCR e desenvolvida ao
longo de cinco anos, está a ser alvo de patente e foi agora testada com
98% de sucesso em 300 pessoas no Brasil, prevendo-se para breve novo
teste no Burkina Faso, com aval da Organização Mundial de Saúde.A
pulseira é produzida em Vila Verde, distrito de Braga, e começou a ser
vendida este mês, em seis cores, em style-out.com e em farmácias do sul
do país, mas o foco principal está nas regiões tropicais e subtropicais.
“Podemos ajudar a diminuir a mortalidade
destas doenças e, quiçá, a erradicar a propagação, além de permitir
poupanças aos sistemas nacionais de saúde”, admite, citada no documento,
a investigadora Filipa Fernandes, autora da pulseira.Citando
estudos, notou que os mosquitos “custam” 410 milhões de euros por ano
ao Governo do Brasil e a cada 30 segundos morre uma criança africana por
malária. “Mortes são casos extremos, mas importa contar ainda todos os doentes e os milhões de pessoas picadas”, sublinha.Segundo a investigadora, cada pulseira tem um raio de ação de 60 centímetros e dura 30 dias.“Só
sentimos um leve aroma ao colocar a pulseira, ao contrário dos
mosquitos, que até se podem aproximar e pousar em nós, mas não vão
picar, pois desta vez julgam estar sobre uma planta e irão procurar
alimento [sangue] noutros animais”, frisa. Sublinha que a pulseira não danifica o ecossistema e também não é um repelente.A
pulseira é feita de silicone medicinal e, no interior, de cera com
compostos e derivados de plantas, que, perante o calor corporal, liberta
de forma controlada um odor que “confunde” os insetos. As
plantas utilizadas são citronela, neem e lavanda, a combinação que,
segundo Filipa Fernandes, “se revelou mais eficaz para confundir” as
espécies de mosquitos 'Anopheles' e 'Aedes', transmissoras de doenças
como malária, zika, dengue, febre amarela e chikungunha. Os ensaios em contexto real arrancaram no Ceará, nordeste do Brasil. “Foi
um sucesso e com inúmeros relatos de felicidade. Um jovem deu a sua
pulseira à avó fragilizada para a proteger. Não é medicamento, mas
claramente previne o contacto com mosquitos e doenças associadas e é uma
esperança para quem vive nesses ambientes”, refere Filipa Fernandes.Prevê-se
novo ensaio na Unidade de Investigação Clínica de Nanoro, no Burkina
Faso, com supervisão da Organização Mundial de Saúde, estando-se a
aguardar financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates.Outro
desafio é o dispositivo poder camuflar também os humanos perante as
espécies 'Culex', transmissoras da febre do Nilo, entre outras doenças. “Cada
espécie de mosquito tem repulsa por plantas específicas, como quando
gostamos ou não de um perfume, e estamos a apurar a equação certa neste
caso”, diz ainda a investigadora.