Ex-administradora da Escola do Mar queria acumular três cargos
30 de jun. de 2021, 18:18
— Lusa/AO online
“Os
cargos que eram propostos por Ana Rita Fraga eram, para além de vogal
do conselho de administração como administradora-delegada, acumular as
funções de docente da escola e, em comissão de serviço, as funções de
diretora”, declarou o secretário Regional do Mar e das Pescas, Manuel
São João.O
governante foi ouvido na Comissão Parlamentar dos Assuntos Sociais, a
pedido do BE/Açores, na sequência da celeuma vinda a público entre ambas
as partes na EMA.Aos
deputados, o governante clarificou que Ana Rita Fraga, que cessou
funções de administradora-delegada em 11 de junho, “não tem qualquer
vinculo laboral” com a EMA, conforme parecer da Inspeção Regional do
Trabalho, que citou.O
titular da pasta do Mar, que representa o Governo dos Açores -
principal acionista da EMA – naquela instituição, explicou que se
demitiu do cargo de presidente do conselho de administração do organismo
para promover uma clarificação porque não “pactua com irregularidades”,
nem com “falta de lealdade institucional”.Manuel
São João demitiu-se das funções de presidente do conselho de
administração da EMA em 27 de maio, mas viria a ser reeleito para o
cargo em eleições posteriores, por unanimidade.Nesse
ato eleitoral, que ocorreu em 11 de junho, não foram reconduzidos os
administradores Ana Rita Fraga e Nuno Henrique, que o secretário
regional disse que, "antes e depois de deixar o cargo de vogal, tem sido
de grande dedicação à escola”.A
Associação para o Desenvolvimento e Formação do Mar dos Açores (ADFMA),
formalizada em 03 de abril de 2019, é a fundadora da EMA e tem como
sócios a Região Autónoma dos Açores, a Escola Superior Náutica Infante
D. Henrique, a Universidade dos Açores e a Câmara Municipal da Horta.Manuel
São João acusou a ex-administradora de “usurpar funções” ao convocar
reuniões do conselho de administração, que disse ser competência do seu
presidente, contrariando a legislação em vigor, tendo “deliberado a sua
autonomeação como diretora executiva”.O
secretário regional reiterou que se vai agir judicialmente contra a
ex-administradora da EMA, que “tinha um cargo de nomeação política”,
para anulação das atas.O
responsável político informou, por outro lado, que em 11 junho, foi
entregue na Direção Regional da Educação um pedido de licenciamento da
EMA, que se “encontra em fase final de apreciação”, esperando que, num
“curto espaço de tempo”, seja possível avançar com um licenciamento
provisório que viabilize a sua abertura no próximo ano letivo.A
deputada do BE/Açores, Alexandra Manes, considerou que Manuel São João
proferiu "acusações graves" e que o seu partido vai requerer a audição
da ex-administradora-delegada da EMA para que se possa ficar na posse de
"toda a informação sobre este assunto".Segundo
o BE/Açores, Ana Rita Fraga não foi ainda ouvida na comissão porque a
sua audição foi inviabilizada por parte do PSD e Chega.Ao
tomar a palavra, o deputado do PPM Paulo Estevão concluiu que “a
administradora-delegada, que ganhará perto de três mil euros”, segundo
referiu o governante, "acumularia a função de diretora executiva,
atingindo um vencimento bruto na ordem dos seis mil euros”.