Ex-administrador critica opção do Governo pelo hospital modular nos Açores
29 de jan. de 2025, 15:15
— Lusa/AO Online
“Como
era possível recuperar o hospital, e nós tínhamos consciência disso, é
evidente que sempre tive dúvidas técnicas relativamente à opção do
modular”, explicou o ex-administrador, durante uma audição parlamentar, a
pedido da bancada do PS, na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia
Legislativa dos Açores, reunida em Ponta Delgada.António
Vasco Viveiros, que já foi deputado ao parlamento açoriano, eleito
pelas listas do PSD, foi nomeado pelo executivo de coligação (PSD,
CDS-PP e PPM) para vogal do Conselho de Administração do HDES, dias após
o incêndio de 04 de maio de 2024, que destruiu, parcialmente, a maior
unidade de saúde do arquipélago, mas acabou afastado do cargo em
dezembro.Na sua opinião, a opção pela
construção de um hospital modular, de caráter provisório, onde o Governo
já terá investido cerca de 30 milhões de euros, provocou "divergências"
entre os elementos do Conselho de Administração, e apenas a direção
clínica é que terá concordado com essa solução.“A
opção foi decidida e proposta pela direção clínica, foi assumida pela
tutela, e não foi um processo que tenha sido agendado para qualquer
reunião do Conselho de Administração”, recordou o ex-administrador,
admitindo que a presidente do Conselho de Administração, na altura,
também tinha “muitas dúvidas” em relação ao hospital modular.Para
Vasco Viveiros, o executivo açoriano deveria ter investido na
recuperação das áreas afetadas pelo incêndio, de forma a permitir a
reabertura da atividade hospitalar no mais curto espaço de tempo, para
evitar que os utentes do Serviço Regional de Saúde fossem penalizados.“Devido
a esse período de inatividade do hospital, para muitas centenas ou
milhares de doentes perde-se a janela de oportunidade para o seu
tratamento. E Isso é uma situação grave”, alertou o ex-administrador,
acrescentando que “a primeira prioridade” da tutela deveria ter sido
“repor a atividade” hospitalar, “para que os doentes não tivessem um
intervalo tão grande sem tratamento”.Vasco
Viveiros admitiu agora que terão sido estas suas críticas às opções do
Governo do seu partido que terão levado a que tivesse sido “afastado”
deste processo e das funções que exercia no HDES, mas fez questão de
explicar que as suas divergências são de caráter técnico e não político.O Governo dos Açores nomeou, entretanto, uma nova presidente
do Conselho de Administração do HDES, Paula Macedo, que foi uma das
grandes defensoras da aquisição de um hospital modular, embora tenha
reconhecido que essa escolha, provocou “alguma tensão no seio da
Administração”.A nova presidente do
Hospital de Ponta Delgada anunciou que a nova administração está a
preparar um “plano funcional” para o HDES, para os próximos 25 anos, que
contempla a realização de obras estruturais no edifício danificado
pelas chamas, mas também um reforço dos recursos humanos, que continua a
ser um dos principais problemas daquela unidade de saúde.