Évora acolhe supercomputador ligado ao projeto do maior radiotelescópio do mundo
30 de jan. de 2020, 17:16
— Lusa/AO Online
“É
uma máquina potente, com nós de computação, de gestão e de
armazenamento. E podemos dizer que tem uma ‘performance’ equivalente a
1.200 PC’s (computadores pessoais) a funcionarem em conjunto”, destacou
hoje à agência Lusa Miguel Avillez, coordenador do Oblivion.A
máquina, instalada no Data Center da DECSIS, no Parque Industrial e
Tecnológico da cidade, vai ser inaugurada pela Universidade de Évora
(UÉ) no dia 04 de fevereiro.O
supercomputador, adiantou Miguel Avillez, também professor da UÉ,
envolveu “um investimento próximo de um milhão de euros” e foi adquirido
para a infraestrutura de investigação ENGAGE SKA "Enabling Green
E-science for the SKA Research Infrastructure”, ligada ao projeto do
maior radiotelescópio do mundo.“50% do
tempo de CPU da máquina ficará afeto ao ENGAGE SKA”, mas “os outros 50%”
são para disponibilizar “à comunidade científica e a empresas no âmbito
da Rede Nacional de Computação Avançada”, assinalou.O
ENGAGE SKA, liderado pelo Instituto de Telecomunicações (IT) de Aveiro e
com as universidades de Évora, Aveiro, Porto e Coimbra, Instituto
Politécnico de Beja e Associação RAEGE Açores, é a interface da
comunidade científica nacional ao Square Kilometre Array (SKA).Trata-se
de um projeto global que, a uma escala sem precedentes, envolve
cientistas e engenheiros integrados em mais de 100 instituições de 21
países na preparação da construção do maior radiotelescópio do mundo,
que tem como objetivo observar e mapear o Universo, referiu a UÉ,
aludindo a dados do portal do SKA. “Irá
abranger uma área com um milhão de metros quadrados para a recolha de
dados através de milhares de radiotelescópios, o que exigirá avanços
radicais no processamento de dados, na velocidade de computação e na
infraestrutura tecnológica”, referiu.O
supercomputador em Évora vai “apoiar no processamento de volumes
massivos de dados resultantes de atividades de investigação e inovação
desenvolvidas em Portugal e enquadradas no design, prototipagem e
operação” do radiotelescópio SKA e dos “seus eventuais precursores”.A
máquina “é capaz de processar 239 milhões de milhões de operações por
segundo (TFLOPS – ‘Tera Floating Operations per Second’), com “um custo
energético muito baixo”, e “vai ser preparada para armazenar 1,5
Petabytes de dados (equivalente a 1,5 milhões de Gigabytes)”, de acordo
com o professor.Além de “tratar, analisar e
obter informações a partir de volumes massivos de dados”, o Oblivion
vai “efetuar simulações numéricas em vários domínios da ciência”,
nomeadamente no campo da astrofísica, precisou Miguel Avillez, do
Departamento de Matemática e coordenador do Grupo de Astrofísica
Computacional da UÉ.“Permite fazer modelos
sobre a origem e evolução do universo, das galáxias ou dos planetas e a
radiação emitida a partir do Sol, entre outras coisas, e modelos de
novos materiais, trabalhar o desenho de novos medicamentos ou testar
aplicações paralelas para previsões nas áreas do clima e da
agricultura”, avançou a academia alentejana.“o supercomputador está em fase de testes, prevendo-se entrar em produção brevemente”, adiantou o coordenador. O
ENGAGE SKA tem um financiamento global na ordem dos quatro milhões de
euros, atribuído pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT),
através do Programa COMPETE 2020.