Eventual insolvência da Azores Airlines poderá custar mais de 300 ME
9 de jul. de 2025, 16:36
— Lusa/AO Online
“A
insolvência representa não só ficarmos com o passivo que já lá está, mas
poderá representar mais 300 milhões de euros de pagamentos de
indemnizações aos trabalhadores”, advertiu Duarte Freitas.O
governante falava no parlamento açoriano, na cidade da Horta, durante
um debate de urgência sobre o futuro da companhia aérea açoriana,
promovida pelo Chega.Duarte Freitas
adiantou, no entanto, que as negociações para a conclusão do processo de
privatização “estão a decorrer a bom ritmo”, tanto com o consórcio
Newtor/MS Aviation, como com a Comissão Europeia, com quem o Governo
Regional assumiu o compromisso de concluir a alienação de 76% do capital
da empresa.“Não só a Comissão Europeia já
formalmente disse que estava a correr conforme estava nos trâmites,
como também, nas reuniões mais recentes que tivemos com a Comissão
Europeia isto ficou claro e não temos, nesse aspeto, qualquer
preocupação”, assegurou o titular da pasta das Finanças na região,
adiantando estar “tranquilo” em relação à conclusão deste processo.O
debate de urgência do Chega pretendia alertar para o “desastre
económico” que a companhia aérea regional atravessa, com avultados
prejuízos, que só em 2024 ascendiam a 71 milhões de euros.“A
Azores Airlines é um exemplo flagrante de décadas de má gestão, incúria
política e desrespeito pelos contribuintes. A situação financeira é
absolutamente desastrosa, a viabilidade económica é nula e o processo de
privatização arrasta-se há meses — melhor, há anos — com fortes
indícios de fracasso iminente”, lamentou Francisco Lima, deputado do
Chega.A secretária regional do Turismo,
Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, explicou em plenário que só a
Azores Airlines registou um prejuízo de 71 ME em 2024, mas lembrou que
grande parte desse valor (53,4 ME) se deve ao “impacto extraordinário”
de custos com acordos de empresa, manutenções, provisões, depreciações,
amortizações e imparidades.A governante
manifestou, no entanto, a sua confiança no atual Conselho de
Administração da transportadora aérea regional e lembrou que os
resultados financeiros da Azores Airlines, relativamente aos primeiros
meses deste ano, “evidenciam uma evolução positiva”.O
deputado do Bloco de Esquerda, António Lima, não poupou críticas ao
desempenho do Governo e das administrações do Grupo SATA, que acusa de
apresentarem “erros estratégicos de gestão” que poderão “custar a
própria existência da companhia”.Pedro
Neves, do PAN, lembrou, no entanto, que o Chega votou a favor do
orçamento regional e que viabilizou todos os avales e cartas de conforto
que o atual Governo Regional de coligação (PSD/CDS-PP/PPM) atribuiu à
SATA.“Por isso, não venham agora chorar”, frisou.O
socialista Carlos Silva lembrou que o executivo prometeu “salvar a
SATA”, mas que, na realidade, a empresa "está ainda pior", apresentando
“salários em atraso” e dívidas à Segurança Social.Nuno
Barata, da IL, lamentou o “grave problema económico” que atualmente
representa a SATA para as contas da região e deixou a garantia de que,
se tivesse responsabilidades governativas, já teria demitido o atual
presidente do Conselho de Administração, Rui Coutinho.Por
seu lado, o deputado do PSD Paulo Simões defendeu que foram as “más
opções” dos governos liderados pelo Partido Socialista que "deram cabo"
da companhia aérea, deixando uma pesada herança que os partidos de
direita estão agora a tentar resolver o problema.Uma
ideia partilhada por João Mendonça, do PPM, que lembrou as “rotas
deficitárias” criadas pelos executivos socialistas e a “atribuição de
ajudas financeiras sem o devido enquadramento legal”, que levaram à
intervenção da própria Comissão Europeia.“Por
tudo isso, corremos o risco de fechar a SATA”, lamentou Pedro Pinto, do
CDS-PP, que considera uma “irresponsabilidade”, que se tenha continuado
a “enterrar dinheiro” na companhia aérea, sem pensar na
sustentabilidade da empresa.