Eventual estado de emergência será por proposta de outro órgão de soberania
Covid-19
29 de out. de 2020, 16:58
— Lusa/AO Online
Em resposta a
questões dos jornalistas, na varanda do Palácio de Belém, em Lisboa,
Marcelo Rebelo de Sousa disse partilhar as preocupações de ordem
jurídica sobre as medidas restritivas de direitos e considerou que "o
Governo ponderará todas essas observações e tentará encontrar o
caminho", no "processo de reflexão" que tem em curso."E
o Presidente da República acompanhará isso, porque o Presidente da
República, em qualquer caso, tem de promulgar leis e decretos-leis, se
for caso disso. Se fosse caso de haver novamente estado de emergência
teria de decretar o estado de emergência e tomar mesmo a iniciativa,
ainda que por proposta de outro órgão de soberania", acrescentou.Marcelo
Rebelo de Sousa referiu que recebeu na quarta-feira o primeiro-ministro
em audiência e que ficou a "saber as ideias de ponto de partida do
Governo", mas assinalou que isso "depende da opinião ainda dos partidos
todos", que serão ouvidos por António Costa na sexta-feira."Não
se esqueçam de um pequeno pormenor: é que medidas que tenham de passar
pelo parlamento têm de passar pelo parlamento, quer dizer, têm de ter
aprovação pelo parlamento, sejam leis sejam outro tipo de medidas",
realçou.Segundo o chefe de Estado, na
tomada de medidas "pondera-se sempre os direitos, liberdades e garantias
de um lado, e do outro lado a vida e a saúde", e vai-se "tentando
enquadrar as medidas que é preciso tomar nos esquemas que existem" no
regime constitucional e legal português.Marcelo
Rebelo de Sousa insistiu na importância do apoio dos "partidos
políticos que têm assento no parlamento" para aprovar determinadas
medidas, sem dar nenhum exemplo em concreto.De
acordo com o Presidente da República, esse "consenso parlamentar
necessário" verificou-se "no estado de emergência, e houve muitíssimo no
começo, um bocadinho menos na primeira renovação e um bocadinho menos
na segunda renovação".Por outro lado,
Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que as medidas precisam de ser aceites
pela opinião pública, o que depende de "as pessoas perceberem, depois do
confinamento que tiveram e da preocupação que têm com o desemprego e
com os salários e com a situação económica e social, se sim ou não há
razões para outra vez pôr o pé no acelerador da proteção da vida e da
saúde".O chefe de Estado mencionou também
que o Governo já conhece as ideias e propostas das entidades que tem
recebido nos últimos dias no Palácio de Belém, acrescentando: "Vamos ver
o que é que é possível ao Governo apresentar por decisão no próximo
sábado, que é já depois de amanhã, para as próximas semanas".Comparando
o início da epidemia de covid-19 em Portugal com o momento atual, e as
medidas adotadas em cada fase, o Presidente da República disse que "a
capacidade de testar aumentou muito" e que "hoje tem-se a noção exata do
número de infetados por concelho e dos concelhos onde a intervenção é
mais urgente". "Portanto, há medidas
diferentes, que parecem menos radicais, menos eficazes, menos
eficientes, mas são mais direcionadas, mais cirúrgicas - na altura, eram
medidas globais", prosseguiu.Marcelo
Rebelo de Sousa concluiu que "as medidas globais são sempre ,em teoria,
uma hipótese no caso de uma situação global, em termos homogéneos", mas
que atualmente não se verifica em Portugal: "Não há igualdade de
situações entre concelhos. Há regiões do continente que têm uma situação
muito diferente de outras regiões. É a realidade".