Evacuados base britânica e aeroporto em Chipre ameaçados por drones
Irão
Hoje 12:37
— Lusa/AO Online
O site do jornal
Phileleftheros adiantou que o aeroporto, na costa ocidental de Chipre,
foi evacuado esta manhã devido à presença de drones, ao mesmo tempo que
os alarmes soaram na base britânica de Akrotiri, nas proximidades, onde
no domingo à noite um drone de fabrico iraniano se despenhou.Um
porta-voz do governo cipriota Konstantinos Letymbiotis escreveu, numa
rede social, que "dois veículos aéreos não tripulados que se deslocavam
na direção das bases britânicas em Akrotiri foram intercetados a tempo".De
acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP), a base britânica,
que acolhe militares e civis, estava agora a ser evacuada, na sequência
do lançamento de dois caças F-35.Cerca de 70 carros foram vistos a deixar a zona da base de Akrotiri, na costa sul da ilha mediterrânica, precisou a AFP.O
Ministério da Defesa britânico já tinha indicado ter tomado "como
medida de precaução" a decisão de "transferir os familiares [de
militares] que vivem na RAF [Força Aérea Real] Akrotiri para alojamentos
alternativos nas proximidades, na ilha de Chipre"."A
nossa base e os nossos funcionários continuam a operar normalmente,
protegendo a segurança do Reino Unido e os nossos interesses",
salientou.As autoridades britânicas
confirmaram que um drone de ataque atingiu a pista da base aérea de
Akrotiri, no domingo, mas não foram registados feridos e os danos foram
mínimos.Não é claro se o drone foi lançado do Irão ou por um grupo militante apoiado por Teerão.Akrotiri
é a principal base aérea do Reino Unido para operações no Médio Oriente
e, nos últimos anos, tem sido usada por aviões militares britânicos em
missões contra o grupo extremista Estado Islâmico na Síria e no Iraque e
para atacar alvos dos huthis no Iémen.O
Reino Unido manteve duas bases aéreas em Chipre depois da independência
da ilha do Mediterrâneo oriental do domínio colonial britânico em 1960.No
mês passado, Londres enviou caças F-35 adicionais para Akrotiri,
juntamente com radares, sistemas antidrone e defesas aéreas, como parte
de "medidas defensivas".O Governo
britânico têm evitado, até agora, comprometer-se no apoio à operação dos
EUA e de Israel contra o Irão, embora concorde que Teerão não deve ter
armas nucleares, tendo pedido o fim dos ataques iranianos e uma solução
diplomática.O Reino Unido não participou
dos ataques dos EUA e Israel, iniciados no sábado, nem autorizou o uso
de bases britânicas em Inglaterra ou na ilha de Diego Garcia, no oceano
Índico pelos EUA.Mas, no domingo, o
primeiro-ministro, Keir Starmer, anunciou ter concordado em permitir que
os EUA usem as bases para ataques aos mísseis iranianos e locais de
lançamento em resposta aos ataques iranianos a interesses e aos aliados
britânicos no golfo, reivindicando a legalidade da medida à luz do
direito internacional."Não nos vamos
juntar a estes ataques, mas vamos continuar com as nossas ações
defensivas na região", disse Starmer, sublinhando que as bases
britânicas não podem ser usadas para ataques contra o Irão.Entretanto,
o Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ao jornal britânico Daily
Telegraph estar "muito desapontado com Keir" por ter demorado "demasiado
tempo" a mudar de opinião sobre a utilização das bases britânicas.O
envolvimento britânico foi criticado por deputados trabalhistas, pelo
antigo líder Jeremy Corbyn e por alguns partidos da oposição, por
recearem que o país seja arrastado para uma nova guerra no Médio
Oriente, como a do Iraque em 2003."O Reino
Unido não está em guerra", afirmou o sub-secretário de Estado dos
Negócios Estrangeiros, Hamish Falconer, à emissora BBC, argumentando que
o Irão tem mísseis balísticos "apontados para o golfo e é vital que
esses lançadores de mísseis sejam eliminados".