Eutanásia e inquérito à TAP marcaram longa sessão legislativa no parlamento
Estado da nação
18 de jul. de 2023, 11:08
— Lusa/AO Online
Pacotes
legislativos com origem no Governo como a ‘Agenda do Trabalho Digno’ ou
o ‘Mais Habitação’ foram - ou serão ainda até às férias parlamentares –
aprovados nesta sessão, bem como a revisão do Regimento, que permitirá o
regresso dos debates quinzenais com o primeiro-ministro depois do
verão.Apenas na X legislatura (2005-2009),
a primeira sessão arrancou a 10 de março e foi mais longa do que a
atual, que começou a 29 de março de 2022 e só terminará, como
habitualmente, em 14 de setembro.O
primeiro dia começou com a eleição do socialista Augusto Santos Silva
como presidente da Assembleia da República com 156 votos a favor
(superando a maioria absoluta do PS), mas os candidatos da IL e do Chega
a vice-presidentes não conseguiram a necessária maioria absoluta.Os
liberais não apresentaram mais candidatos, mas o Chega insistiu, no
total, em quatro nomes, sempre sem sucesso, tendo funcionado a primeira
sessão apenas com os ‘vices’ eleitos por PS e PSD.A
aprovação da despenalização da morte assistida em 12 de maio – o quarto
diploma sobre o tema, no parlamento desde 2016, e já promulgado pelo
Presidente da República – foi um dos marcos da sessão, depois de dois
vetos políticos de Marcelo Rebelo de Sousa e dois vetos na sequência de
inconstitucionalidades decretadas pelo Tribunal Constitucional.Na
fase final do processo, quer Chega quer PSD apresentaram propostas para
realizar um referendo sobre o tema que foram rejeitadas ou nem sequer
admitidas, e os sociais-democratas ainda irão pedir ao Tribunal
Constitucional uma fiscalização sucessiva.O
tema mais inesperado da sessão legislativa surgiu na sequência da
polémica indemnização à ex-gestora da TAP Alexandra Reis e levaria à
constituição de uma comissão parlamentar de inquérito (a única desta
sessão), proposta pelo BE e viabilizada pelo PS, à tutela política da
gestão da companhia aérea.Foi também este
tema que esteve na base da apresentação da moção de censura da IL ao
Governo, no início de janeiro, a segunda desta sessão, depois de o Chega
ter apresentado uma logo em julho do ano passado, tendo ambas sido
chumbadas pelo PS e com a abstenção do PSD.De
final de fevereiro até julho, o tema da TAP dominou a agenda mediática
do parlamento, com longas horas de audições transmitidas em direto pelas
televisões, e ‘contaminou’ outras comissões, como a de Economia ou
Assuntos Constitucionais, já que o caso levantou dúvidas sobre a atuação
dos serviços secretos (com propostas 'chumbadas' de Chega e IL para
novo inquérito).Do ponto de vista
legislativo, já resultaram mais de 50 leis desta primeira sessão: além
do pacote laboral, o parlamento produziu, por exemplo, uma nova lei da
saúde mental, o diploma do ‘IVA Zero’, proteção para a violação dos
direitos de autor, novas regras para a supervisão bancária, a criação de
um ponto único de contacto para a cooperação policial internacional, o
reforço do combate à violência no desporto ou, mais recentemente, a
eliminação da obrigação de afixação do dístico do seguro automóvel.Também
foi aprovado um diploma 'chapéu' sobre as ordens profissionais, que
terá agora de ser detalhado para cada caso, trabalho que só ficará
concluído na próxima sessão legislativa, tal como o diploma sobre
metadados. Já aprovadas em votação final
global – a aguardar ‘luz verde’ de Belém – estão diplomas como a Lei de
Programação Militar, a alteração ao funcionamento do Conselho das
Comunidades Portuguesas, o reforço da proteção de vítimas de crimes
contra a liberdade sexual, o alargamento do escrutínio da Assembleia da
República sobre iniciativas legislativas da União Europeia ou a criação
da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial.No
último plenário antes das férias, na quarta-feira, haverá ainda votação
final – além do Regimento e do pacote da habitação - da proposta do
Governo para uma amnistia penal a propósito da vinda do Papa a Portugal
para a Jornada Mundial da Juventude e, se ficar concluída a discussão na
especialidade, de diplomas para a descriminalização de drogas
sintéticas, novas regras para a identidade de género nas escolas ou o
voto em mobilidade nas europeias, entre muitos outros.A
revisão constitucional, processo iniciado em janeiro, só ficará
concluída na próxima sessão, sendo ainda incerto que PS e PSD se
entendam para alcançar os dois terços necessários para aprovar qualquer
alteração.