Europol destaca subida de tráfico de cocaína para a Europa e novos métodos
Hoje 17:02
— Lusa/AO Online
Num
relatório divulgado, a agência europeia de polícia destaca, por um
lado, que o tráfico de cocaína para a Europa continua a crescer a
níveis sem precedentes e, por outro lado, que as redes criminosas têm
uma grande capacidade de adaptação, nomeadamente fragmentando as suas
rotas e adotando métodos de tráfico cada vez mais complexos.A
Europol nota que os antigos grandes portos de entrada de
estupefacientes, como Hamburgo (Alemanha), Roterdão (Países Baixos) ou
Antuérpia (Bélgica), são cada vez menos utilizados e as redes criminosas
investiram em novos métodos como o recurso a semissubmersíveis e
embarcações não comerciais, utilizados para o transporte transatlântico.“Apreensões
recentes próximas às regiões dos Açores (Portugal) e da Galiza
(Espanha) confirmam o aumento do alcance e da capacidade técnica dessas
embarcações”, destaca a Europol.No
domingo, uma ação conjunta da Polícia Judiciária, da Marinha e da Força
Aérea apreenderam quase nove toneladas de cocaína transportadas num
semissubmersível intercetado na sexta-feira ao largo dos Açores, na que
"será a maior apreensão jamais efetuada" desta droga em Portugal.Outro
método dos narcotraficantes é transportar cocaína em grandes navios
antes de transferir a mercadoria diretamente no mar para embarcações
menores ou utilizando o 'drop-off', técnica que consiste em lançar
fardos de droga que são, posteriormente, recuperados por outras
embarcações, como lanchas rápidas (narcolanchas).A
polícia espanhola deteve na segunda-feira 105 pessoas de uma
organização que introduziu na Europa, no último ano, 57 toneladas de
cocaína oriunda do Brasil e Colômbia e com estruturas que passavam por
Portugal, traficada com recurso às narcolanchas.Outras operações levaram, em 2025, à apreensão de cocaína dissimulada em lulas e em mandioca congeladas, em Portugal.No
relatório, a Europol apela à extensão da vigilância marítima para além
dos portos comerciais, de modo a incluir portos menores, as zonas
costeiras e os corredores em alto-mar.