Europol alerta para aumento do risco de terrorismo na UE
6 de mar. de 2026, 10:53
— Lusa/AO Online
Numa
resposta por escrito enviada à agência Lusa, uma porta-voz da Europol
indica que a guerra no Médio Oriente “tem repercussões imediatas no
crime grave e organizado e no terrorismo na União Europeia (UE)”.“O
nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE
é considerado elevado. Tal pode manifestar-se através da radicalização
interna por parte de indivíduos isolados ou de pequenas células
auto-organizadas”, refere a porta-voz da Agência da UE para a Cooperação
Policial.A Europol adverte que “a rápida
disseminação ‘online’ de conteúdos polarizadores pode acelerar os
processos de radicalização a curto prazo” entre membros de diásporas que
residem atualmente em solo europeu.“Os
grupos aliados (‘proxies’) do Irão também podem envolver-se em
atividades desestabilizadoras na UE”, afirma a Europol, referindo-se
designadamente ao chamado “Eixo da Resistência do Irão”, composto por
grupos como o Hezbollah, Hamas ou os Huthis, ou a “redes criminosas que
atuam sob a direção das instituições de segurança iranianas”.“As
suas operações podem incluir ataques terroristas, campanhas de
intimidação e financiamento do terrorismo, bem como ciberataques,
desinformação ou esquemas de fraude ‘online’”, afirma a agência. Além
da ameaça de terrorismo, a Europol refere também que “o risco de
ciberataques direcionados a infraestruturas e empresas ocidentais também
pode aumentar caso o conflito se mantenha”.“Redes
criminosas e terroristas vão aproveitar o contexto de informação mais
intenso para desenvolver fraudes e desinformação com recurso à
inteligência artificial. Os alvos mais prováveis na UE incluem
localizações ligadas ao conflito, como instalações diplomáticas, alvos
vulneráveis ou infraestruturas públicas ou críticas”, indica.A agência refere, contudo, que até ao momento “não há impacto direto num aumento do tráfico de imigrantes”.Esta
terça-feira, em conferência de imprensa em Bruxelas, o comissário
europeu para a Administração Interna, Magnus Brunner, foi questionado
sobre como é que a UE tenciona responder a um eventual aumento das
ameaças terroristas no continente, tendo respondido que a primeira
prioridade da Comissão Europeia é garantir a segurança dos seus
cidadãos. “Estamos a fazer várias coisas,
como garantir controlos fronteiriços robustos, que foram reforçados
recentemente com o nosso sistema de informação Schengen, uma base de
dados comum da UE na qual os Estados-membros podem criar alertar para
casos relacionados com terrorismo”, referiu.O
comissário europeu indicou ainda que o novo sistema de entrada e saída
da UE, que está a ser gradualmente implementado desde outubro,
prevendo-se que esteja totalmente operacional em abril, também está a
dar resultados.“Já nos permitiu deter 500
pessoas consideradas como uma ameaça à União Europeia. Por isso, acho
que estamos no caminho certo, mas, claro, manter-se vigilante é sempre
importante”, referiu.