Europa tem de encontrar alternativas à detenção de crianças refugiadas
Migrações
5 de jul. de 2022, 14:46
— Lusa/AO Online
A detenção tem um “impacto
profundo e negativo na saúde e bem-estar infantil e pode ter um impacto
negativo duradouro no desenvolvimento cognitivo das crianças”, referem o
Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), o Fundo das Nações
Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Internacional para as
Migrações (OIM), num comunicado conjunto.“A
detenção é conhecida por exacerbar o sofrimento psicológico e as
crianças detidas correm o risco de sofrer depressão e ansiedade, bem
como violência e abuso”, acrescentam.O
Pacto Global sobre Refugiados, assinado por quase 200 países em 2018,
compromete os Estados a desenvolver “alternativas à detenção”, em
particular de crianças, com o objetivo final de “acabar com a prática de
detenção de crianças no contexto de migração internacional”.No
entanto, segundo apontam as organizações, uma revisão da situação feita
pela OIM, ACNUR e UNICEF mostrou “muitos exemplos preocupantes” de
detenção infantil em 38 países da região europeia.As
agências informaram ter também constatado que “alternativas como vida
independente apoiada, acolhimento familiar e outros modelos amigáveis e
centrados na criança, já estão em vigor em vários países europeus e
oferecem soluções viáveis e económicas para os Estados de acolhimento”.Por
isso, as três organizações pedem a todos os Estados europeus que
“adotem essas abordagens para proteger os direitos e o bem-estar das
crianças refugiadas e migrantes”, afirmou a diretora regional do ACNUR
para a Europa, Pascale Moreau, citada no comunicado.As
recomendações estabelecidas pelas três agências incluem expandir as
alternativas de detenção para crianças e famílias, investir em condições
de acolhimento e sistemas nacionais de proteção infantil e melhorar as
capacidades nacionais de recolha e avaliação de dados nos Estados e na
União Europeia (UE).“As crianças em
movimento são, antes de mais nada, crianças, independentemente de onde
sejam e do motivo pelo qual deixaram as suas casas”, sublinhou o diretor
regional da UNICEF para a Europa e Ásia Central e coordenador especial
para a resposta a refugiados e migrantes na Europa, Afshan Khan.“A
detenção de crianças nunca é do seu interesse, é uma violação dos seus
direitos e deve ser evitada a todo custo”, defendeu o mesmo
representante.