Europa recupera autonomia no espaço com Ariane 6 e lança a missão Hera em 2024
27 de dez. de 2023, 10:14
— Lusa/AO Online
A
formatura da nova turma de astronautas da ESA, o lançamento do satélite
de observação da Terra EarthCare ou a inauguração da instalação LUNA,
um simulador de uma missão ao satélite natural da Terra, são outros dos
acontecimentos no plano de atividades da agência para 2024, noticiou
esta terça-feira a agência Efe.O grande
momento do ano para a ESA será, depois de vários atrasos, o voo
inaugural do Ariane 6, previsto entre 15 de junho e 31 de julho, um novo
foguetão que dará novamente à Europa acesso autónomo ao espaço.Com
este novo foguetão, que se encontra agora em testes finais, será
possível chegar à órbita terrestre e ao espaço profundo, o que facilita a
navegação europeia, a observação da Terra, os programas científicos e
de segurança.Além disso, serão retomados
no outono os voos do Vega-C, um lançador de tamanho médio que expandirá a
autonomia da Europa no espaço, facilitando novas possibilidades de
missão, incluindo operações de regresso à Terra com o veículo de
reentrada espacial ESA Rider.Outro
destaque será o lançamento da Hera, missão de defesa planetária e
segunda parte de outra chamada DART da NASA (agência espacial
norte-americana), que em setembro de 2022 colidiu com um asteroide para
desviá-lo.O lançamento do Hera está
previsto para outubro, a partir do Cabo Canaveral (EUA), a bordo de um
foguetão da SpaceX. O seu destino final será o asteroide binário
Didymos, para realizar estudos quer sobre este, quer sobre o Dimorphos,
que foi desviado pelo DART.Já passou mais
de uma década desde que a ESA formou os seus últimos astronautas, mas
este ano, em abril, a nova turma finalizará o seu percurso de mais de um
ano de formação, sendo composta por cinco titulares.A
atividade da ESA continuará na Estação Espacial Internacional. Em
meados de janeiro viajará Marcus Wandtm, que durante sua primeira
estadia será um especialista da missão Axiom-3, com quem participará de
atividades de investigação e divulgação de microgravidade durante 14
dias.Além disso, o primeiro astronauta
dinamarquês Andreas Mogensen, que está na Estação Espacial desde agosto
para a missão Muninn, com mais de 20 experiências científicas europeias,
planeia regressar à Terra no final de fevereiro.Vários
satélites também estão planeados para serem lançados este ano. Em maio
será a vez do Tierra EarthCare, uma iniciativa conjunta entre a ESA e a
Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).O
satélite investigará o papel que as nuvens e os aerossóis desempenham
na reflexão da radiação solar incidente de volta ao espaço e na captura
da radiação infravermelha emitida pela superfície da Terra para melhor
compreender a evolução da temperatura no nosso planeta.No
verão, a missão Proba-3 será lançada a bordo de um veículo da
Organização Indiana de Investigação Espacial (ISRO), com dois pequenos
satélites que estudarão a ténue coroa solar e a atmosfera circundante,
além de utilizar tecnologias inovadoras para medir a posição com
precisão das duas naves espaciais.Em
outubro, será inaugurada a instalação LUNA no Centro Europeu de
Astronautas em Colónia (Alemanha), projetada para recriar a superfície
lunar, fornecer um campo de treino para astronautas e um centro de
testes de tecnologia para continuar a avançar em direção ao satélite
natural da Terra.