Europa recorre a África para reduzir compras de gás à Rússia em dois terços este ano
Ucrânia
3 de mai. de 2022, 11:17
— Lusa/AO Online
De acordo com a agência de informação
financeira Bloomberg, o esboço da nova estratégia europeia, que deverá
ser aprovada pela Comissão Europeia ainda este mês no âmbito do plano
para reduzir e dependência energética de Moscovo, pretende aprovar o
potencial ainda por explorar dos países no ocidente de África, entre os
quais estão os lusófonos Angola e Guiné Equatorial, ambos produtores de
gás natural liquefeito. O bloco dos 27
países europeus quer afastar-se do maior fornecedor, a Rússia, no
seguimento da invasão da Ucrânia, e preparar a região para importar 10
milhões de toneladas de hidrogénio até 2030 para ajudar a substituir o
gás da Rússia, em linha com o ambicioso projeto de descartar a
utilização de combustíveis fósseis e atingir a neutralidade climática
até meio deste século.A Bloomberg, que
cita a versão preliminar do documento, escreve que a União Europeia
pretende aumentar as importações de gás natural liquefeito em 50 mil
milhões de metros cúbicos e aumentar também os carregamentos de gás
através de gasodutos de outros países além da Rússia em 10 mil milhões
de metros cúbicos.Para isso, Bruxelas quer
implementar na totalidade o acordo com os Estados Unidos para a entrega
de 15 mil milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito já este
ano e cerca de 50 mil milhões anualmente até 2030, além de assinar um
acordo trilateral com o Egito e Israel para aumentar os fluxos para a
Europa já neste verão."A UE também precisa
de enviar sinais consistentes ao mercado para equilibrar as
necessidades de curto e médio prazo com os objetivos a longo prazo",
lê-se no documento, que admite que "tudo isto precisa de uma política
para o gás altamente bem coordenada para explorar o mercado e o peso
político da união e desenvolver uma ferramenta para uma ação conjunta".A
generalidade dos analistas tem afirmado que países exportadores ou com
capacidade para aumentar a produção e exportação de gás, como Angola,
Guiné Equatorial ou Moçambique, poderão beneficiar da vontade de
Bruxelas em diversificar as compras de gás à Rússia, principalmente no
seguimento da invasão da Ucrânia.