Europa Nostra identifica sete sítios patrimonais em risco no continente europeu
13 de abr. de 2023, 18:00
— Lusa
Os
sete sítios assinalados incluem património edificado histórico e
paisagem cultural, de acordo com o comunicado hoje divulgado pela
organização.Um dos sete sítios
patrimoniais em risco é a estação ferroviária de Kortrijk, no oeste da
Bélgica, próximo da cidade de Lille, datada de 1889, que albergou outros
serviços públicos como o telégrafo e os correios.Também
em risco está o Cemitério Memorial dos Combatentes em Mostar, na
Bósnia-Hersegovina, apontado pela Europa Nostra como “um dos maiores
monumentos e locais antifascistas nos Balcãs, com o seu caminho
cerimonial pavimentado de 300 metros de comprimento, subindo uma colina
com mais de 20 metros”.O cemitério
apresenta cerca de 700 lápides individuais, de lutadores pela liberdade
do movimento guerrilheiro jugoslavo, inclui uma série de monumentos
construídos em memória dos guerrilheiros que morreram durante a II
Guerra Mundial (1939-1945), combatendo as forças nazis, segundo a mesma
fonte.O terceiro edificado em grande risco
é o Forte Tchakvinji, no nordeste da cidade de Zugdidi, na Geórgia,
construído entre os séculos II e V e que continuou ativo até o século
XVIII. “Desde o período helenístico (323 –
33 antes de Cristo), a fortaleza está relacionada com as estradas da
seda [e] também serviu de abrigo para os habitantes locais durante o
período pré-revolução da Rússia czarista”. O regime czariasta foi
deposto em 1917.O quarto sítio em risco é
na Alemanha, em Kleinwelka, o “'Sisters’ House Ensemble”, um núcleo
habitacional na região da Morávia. Este
conjunto de cinco edifícios, denominado em alemão como “Schwesternhaus”,
foi construído em meados do século XVIII e inclui a Casa das Freiras,
que dispunha de dormitório, refeitório, sala de orações e sala de
cuidados de saúde, a Farmácia, a Lavandaria, a “Remisse” e a Villa Anna.Em
elevado risco está também o Parque Emento, conhecido como Parque das
Estátuas, em Budapeste, um museu de história, centro educacional, campo
de ação artística e atração turística, afirma a Europa Nostra segundo a
qual é “um local de descanso das estátuas que costumavam simbolizar a
ideologia comunista nas ruas de Budapeste, entre 1945 e 1989”.“Durante
a mudança do sistema político em 1989-90, a opinião pública, nos
ex-regimes comunistas do leste da Europa voltou-se radicalmente contra
as memórias dessa época”.Na Hungria, um
compromisso político e social único iniciou a realocação de estátuas de
propaganda pública indesejadas. O concurso de design para realocar 41
obras de arte foi ganho pelo arquiteto Ákos Eleőd.Inaugurado
em 1993, o Parque das Estátuas "Uma sentença sobre a tirania” constitui
“a primeira e até hoje a única coleção de estátuas de propaganda da
Europa num ambiente politicamente neutro”.Também
em risco, apontado pela Europa Nostra, está a paisagem cultural de
Sveti Stefan, que inclui o Parque Miločer, na República de Montenegro.
Trata-se de “um património cultural de beleza sem precedentes, muitas
vezes considerado a imagem simbólica de Montenegro”. Sveti
Stefan é uma cidade fortificada do século XV, construída como “coração
cultural e administrativo” da região de Paštrovići, uma ilha com uma
área de 1,2 hectares, “com as suas casas de pedra, quatro igrejas, ruas,
travessas, praças e jardins, ligada por uma ponte baixa ao continente
nas proximidades do Parque Miločer, que inclui uma residência de verão,
da década de 1930, da família real jugoslava, com vários edifícios, duas
praias, uma ponte francesa do século XIX e um jardim botânico no estilo
clássico francês”.O sétimo sítio em risco
são os moinhos de água no rio Bistrica, em Petrovac, na região sérvia
de Mlavi. Trata-se de “um complexo único de moinhos históricos para moer
grãos e enrolar tecidos, criado entre o século XIX e meados do século
XX”.“A arquitetura dos moinhos de água
apresenta as características folclóricas das estruturas rurais dos
Balcãs, nomeadamente construções de pequena escala e de madeira”, refere
a Europa Nostra.“Ao colocar estes sítios
patrimoniais na lista de 2023 dos sete mais ameaçados, queremos
transmitir uma mensagem de esperança, solidariedade e apoio às
comunidades locais e ativistas que estão resolutamente determinados a
salvá-los. Juntamente com os nossos parceiros (europeus e locais),
forneceremos conhecimentos técnicos, identificaremos possíveis fontes de
financiamento e mobilizaremos a nossa vasta rede para apoiar a sua
causa e os seus esforços, que agora se tornaram também a nossa causa e a
nossa responsabilidade partilhada”, afirma, citado pelo comunicado, o
vice-presidente executivo da Europa Nostra, Guy Clausse.“Usemos o património cultural da Europa como vetor de paz, coesão social e desenvolvimento sustentável”, remata o responsável.O
chefe do Programa de Clima e Património do Instituto do Banco Europeu
de Investimento (BEI), Bruno Rossignol, por seu turno, escreve que “o
património cultural é um recurso fundamental para moldar a nossa
identidade europeia, sem o qual o crescimento económico não tem sentido.
Este poder de coesão é reconhecido pelo BEI, que tem em conta a
preservação do património na análise de novos projetos de investimento
ou na concessão de empréstimos para projetos de reabilitação urbana,
muitas vezes com uma componente patrimonial”.Rossignol salienta o “poder coesivo do património cultural“ que se “vincula à missão e atividades do banco”.