Eurodeputados querem programa especial de vistos na UE para mulheres afegãs
16 de set. de 2021, 17:18
— Lusa/AO online
Numa
resolução hoje aprovada – com 536 votos a favor, 96 contra e 50
abstenções – na sessão plenária da assembleia europeia, na cidade
francesa de Estrasburgo, os eurodeputados observam que “a maior parte
dos refugiados afegãos procurará proteção, em primeiro lugar, nos países
vizinhos”, apelando a que a UE conceda apoio adicional aos países
vizinhos do Afeganistão que acolhem refugiados e que ajude na criação de
corredores humanitários para o encaminhamento de ajuda alimentar, água,
saneamento e medicamentos.Ainda
assim, os eurodeputados vincam que o apoio para o acolhimento de
refugiados e migrantes afegãos nos países vizinhos, como já defendido
pelos ministros europeus dos Negócios Estrangeiros, “não constitui uma
alternativa a uma verdadeira política europeia em matéria de asilo e
migração”, exortando por isso à “conclusão urgente” da legislação nesta
matéria para que a UE possa fazer face aos fluxos migratórios de forma
mais eficaz e humana.Mostrando-se
“horrorizado com os relatos de violações, execuções, o recrutamento de
crianças soldados, a repressão de protestos pacíficos e de manifestações
de dissidência e as restrições dos direitos humanos, impostas
especialmente a mulheres e raparigas”, o Parlamento Europeu pede a
“atribuição de vistos humanitários e o estabelecimento de um programa
especial de vistos para as mulheres afegãs que procuram proteção contra o
regime talibã”.A
assembleia europeia solicita, ainda, à Comissão Europeia para publicar
uma proposta legislativa relativa aos vistos humanitários e para
trabalhar para uma “partilha equitativa de responsabilidades entre os
Estados membros”.No
que toca ao novo governo talibã, os eurodeputados concluem que “não
estão reunidas as condições para o reconhecimento político dos
dirigentes”, defendendo “contactos estritamente limitados aos objetivos
pertinentes”.Em
vigor há 20 anos, mas sem nunca ter sido usada, a diretiva comunitária
sobre proteção temporária no caso de afluxo maciço de pessoas deslocadas
estabelece um regime para lidar com chegadas em massa à UE de nacionais
estrangeiros que não podem regressar aos seus países (sobretudo devido a
guerra, violência ou violações dos direitos humanos), assegurando
proteção temporária imediata a estas pessoas.Prevê
uma repartição equilibrada do esforço assumido pelos países da UE ao
acolherem as pessoas deslocadas, não impondo porém uma distribuição
obrigatória dos requerentes de asilo pelos vários países da UE.Após
quase duas décadas de presença de forças militares norte-americanas e
da NATO, os talibãs tomaram o poder em Cabul a 15 de agosto, culminando
uma rápida ofensiva que os levou a controlar as capitais de 33 das 34
províncias afegãs em apenas 10 dias.Desde
então, os combatentes islamitas radicais asseguraram em várias ocasiões
a intenção de formar um Governo islâmico "inclusivo", que representasse
todas as tribos e etnias do Afeganistão, mas em 07 de setembro
anunciaram um governo totalmente masculino, só com ministros talibãs,
incluindo veteranos da sua linha dura, que governou o país entre 1996 e
2001, e da luta de 20 anos contra a coligação internacional liderada
pelos Estados Unidos.