Eurodeputados portugueses pedem firmeza e união perante ameaças de Trump
Gronelândia
Hoje 11:50
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa à margem da sessão plenária do Parlamento
Europeu, que se realiza esta semana em Estrasburgo, o eurodeputado do PS
André Franqueira Rodrigues considerou que Donald Trump “é uma das
principais ameaças à coesão interna” da NATO e, perante as suas ameaças,
a UE “tem de mostrar-se unida”.“Tem de
estudar todos os mecanismos que tem à sua disposição, nomeadamente o
instrumento anti-coerção, para fazer face a um novo mundo que é motivado
pela autêntica instabilidade com que o Presidente norte-americano se
relaciona com os seus aliados”, afirmou o eurodeputado, salientando que
“não se lida com um ‘bully’ com apaziguamento”. O
eurodeputado do PSD Sebastião Bugalho considerou que a postura que a
Comissão Europeia tem adotado perante a administração Trump é a correta:
“Nunca deixa a hostilidade sem resposta, nunca põe nenhuma opção de
defesa de parte, mas, ao mesmo tempo, não fecha a porta da negociação e
do diálogo”.No atual contexto, Bugalho
defendeu que é essa postura que é preciso manter: “trabalhar para
apaziguar” a tensão entre os Estados Unidos e a UE, mas pôr “todas as
hipóteses” de retaliação em cima da mesa, incluindo descongelar um
pacote de tarifas retaliatórias de 93 mil milhões de euros, preparado no
verão caso não se chegasse comercial com os Estados Unidos, ou utilizar
o instrumento europeu de anti-coerção, que poderia impedir o acesso de
empresas dos Estados Unidos a certos mercados europeus.Por
sua vez, o eurodeputado do Chega Tiago Moreira de Sá frisou que a
relação com os Estados Unidos é “absolutamente essencial” e deve-se
tentar resolver as questões da segurança do Ártico e da Gronelândia no
âmbito da NATO, mas, caso o Presidente dos Estados Unidos aplique
tarifas, a UE “tem de responder”.“É
difícil não retaliar, sobretudo quando houve numa primeira fase, e bem,
uma vontade de negociar, até porque senão a UE é colocada numa posição
de fraqueza tal que dificilmente é levada a sério a nível
internacional”, afirmou.Também a
eurodeputada do CDS-PP Ana Miguel Pedro considerou que, neste momento, a
resposta “ainda deve ser da moderação, com firmeza”, e procurar que a
questão da Gronelândia seja discutida no âmbito da NATO, sem descartar
medidas retaliatórias como o instrumento anti-coerção. “Mas
deve imperar o bom senso, porque uma guerra comercial será má para
ambas as partes. Portanto, moderação sim, mas com firmeza”, disse.A
eurodeputada da IL Ana Vasconcelos também pediu firmeza da UE perante
as ameaças de Trump, salientando que o bloco está disposto a negociar,
“mas não sob chantagem e ao custo da sua soberania”, e frisou que o
instrumento anti-coerção foi concebido precisamente para este tipo de
situação.“Queremos evitar ir por essa via,
mas os Estados Unidos não podem tratar os seus aliados desta forma e,
portanto, é para isso que este instrumento está na mesa”, defendeuÀ
esquerda, a eurodeputada do BE Catarina Martins considerou que a UE
“está a ser vítima das suas próprias ambiguidades”, acusando-a de ter
aceitado o “atropelo do direito internacional” na Faixa de Gaza e na
Venezuela e agora estar “muito frágil quando Donald Trump começa a
crescer para outros lados”.“Acho que
compensa ser firme, compensa não aceitar o que Donald Trump quer. O
Brasil, desse ponto de vista, é um exemplo”, frisou, pedindo que se
admita utilizar o pacote de tarifas retaliatórias, o instrumento de
anti-coerção e que se suspenda a ratificação do acordo comercial com os
Estados Unidos.A mesma posição é
partilhada pelo eurodeputado do PCP João Oliveira, que pediu à UE para
“reagir de uma forma que contrarie a atitude de submissão e
subserviência” face aos Estados Unidos, considerando que isso passa por
medidas comerciais, mas não só. “Medidas
de proteção e defesa dos setores produtivos das economias nacionais no
espaço da UE são absolutamente essenciais (…) e medidas de alargamento
das relações económicas com outros países, povos, regiões do mundo”,
defendeu.