Eurodeputados pedem a Bruxelas plano de contingência orçamental
Covid-19
4 de mai. de 2020, 17:33
— Lusa/AO Online
A posição foi adotada através da aprovação de
um relatório de iniciativa legislativa, da autoria da eurodeputada
socialista portuguesa Margarida Marques e do polaco Jan Olbrycht
(Partido Popular Europeu), que alerta para o risco de o próximo Quadro
Financeiro Plurianual não ser acordado a tempo de entrar em vigor no
início do próximo ano e, consequentemente, para a necessidade de um
“plano de emergência para assegurar a continuidade do financiamento”,
para mais no atual contexto da crise provocada pela pandemia de Covid-19.Segundo os eurodeputados, “este
plano deve também permitir dar resposta às consequências sociais e
económicas imediatas do surto de Covid-19 e contribuir para a
recuperação”De acordo com o texto hoje
aprovado em sede de comissão parlamentar – com 37 votos a favor, um
contra e três abstenções -, a atual crise sanitária provocada pela
pandemia de Covid-19 “torna ainda mais premente a necessidade de um
plano de emergência para o quadro financeiro plurianual caso este não
possa entrar em vigor a 1 de janeiro de 2021”, pelo que os
eurodeputados solicitam à Comissão Europeia que apresente até 15 de
junho próximo uma proposta de plano de emergência para o orçamento
plurianual.Este plano, sustentam, deve ser
formulado com o objetivo de facultar uma “rede de segurança” para
proteger os beneficiários dos programas europeus, assegurando a
continuidade na execução do orçamento da UE e “permitir à União dar uma
resposta às consequências sociais e económicas imediatas do surto de
Covid-19, bem como contribuir para a recuperação”. A
comissão parlamentar sublinha que, “embora os atuais limites máximos
orçamentais sejam automaticamente prorrogados se um novo Quadro
Financeiro Plurianual não entrar em vigor no início do próximo ano,
muitos programas europeus expiram no final de 2020”. “O
plano de emergência requerido pelos eurodeputados protegeria os
beneficiários dos programas da UE - cidadãos, regiões, cidades,
agricultores, universidades ou empresas - dos riscos de uma interrupção
ou de uma extensão desordenada”, sublinham.Correlatora
do texto hoje adotado – e que será votado pelo Parlamento Europeu na
sessão plenária agendada para a próxima semana -, a deputada Margarida
Marques do PS, lembrou
que se aguarda neste momento a apresentação de uma proposta revista do
orçamento da UE para 2021-2027, considerou um acordo “urgente”, mas
ressalvou que não se pode correr riscos no atual contexto.“Por
isso, insistimos em pedir à Comissão Europeia um plano de contingência
que não se limite a prolongar os atuais programas e montantes, mas que
assente na imaginação necessária no quadro dos Tratados para não atrasar
uma efetiva resposta europeia à crise. Os cidadãos, as empresas, as
organizações da sociedade civil não entenderiam um fosso nos
financiamentos”, apontou.Em fevereiro
passado, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, convocou uma
cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia com o
objetivo declarado de ‘fechar’ um acordo em torno do Quadro Financeiro
Plurianual para 2021-2027, mas a reunião saldou-se num fracasso, com
todos os Estados-membros a rejeitarem a proposta sobre a mesa, quer os
chamados “países frugais”, que consideravam excessivas as suas
contribuições, quer os “amigos da coesão”, insatisfeitos com a pouca
ambição da mesma.Com a chegada do surto de Covid-19 à Europa, as videoconferências do Conselho Europeu passaram a
ser consagradas às respostas de emergência à pandemia, tendo o dossiê do
orçamento plurianual da União voltado à agenda na última cimeira, a 23
de abril, com os líderes a encarregarem a Comissão de apresentar com
caráter de urgência uma proposta de um fundo de recuperação, associado a
uma proposta revista do Quadro Financeiro para 2021-2027.A Comissão Europeia deverá apresentar as suas propostas durante o corrente mês de maio.