Eurodeputados negociadores rejeitam proposta da UE para orçamento plurianual até 2034
Hoje 17:30
— Lusa/AO Online
“Rejeitamos
a proposta do Conselho, que simplesmente não está adaptada às
realidades atuais. Não reflete nem as necessidades dos cidadãos europeus
nem a posição do Parlamento Europeu, enquanto instituição democrática e
orçamental da União”, reagem Carla Tavares e Siegfried Mureșan, numa
posição divulgada.De acordo com os
parlamentares, “a proposta do Conselho envia um sinal completamente
errado”, já que, “ao reduzir em 2% a proposta global da Comissão,
sugere, na prática, que os desafios da Europa exigem menos ação e não
mais”.A presidência cipriota do Conselho
da UE apresentou uma “versão revista e mais amadurecida” do
orçamento plurianual comunitário, cortando em 32,8 mil milhões de euros a
proposta da Comissão Europeia, mas preservando valores da coesão e
agricultura.Em causa está a chamada caixa
de negociação, hoje publicada, que servirá de base para a discussão dos
líderes da UE na reunião do Conselho Europeu da próxima semana, sendo o
mote para negociações interinstitucionais nos próximos meses entre
países (no Conselho da UE) e os eurodeputados (no Parlamento).A
proposta da presidência cipriota da UE prevê uma redução global
moderada de cerca de 2% face ao orçamento apresentado pela Comissão
Europeia, o equivalente a 32,8 mil milhões de euros.A
maior parte dos cortes incidirá sobre a competitividade, a defesa e a
ação externa da UE sendo que, segundo Nicósia, mesmo com esta ligeira
redução de 3,9%, os programas mantêm níveis significativamente
superiores aos do período atual.Ao todo,
com esta revisão, o orçamento da União passaria a representar 1,23% do
Rendimento Nacional Bruto (RNB) da UE, ou 1,13% se for excluído o
reembolso associado ao fundo de recuperação pós-pandemia, que financia o
Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).A
ideia é que as políticas de coesão, pescas e agricultura - que foram as
únicas que sofreram reduções em termos reais na proposta da Comissão
Europeia quando comparadas com o atual QFP 2021-2027 -, mantenham os
seus valores.Visando reforçar o apoio a
países mais pobres e atenuar cortes na agricultura e pescas, é defendido
mais apoio aos Estados-membros com RNB abaixo de 90% da média da UE
dado que têm de investir mais em transportes e ambiente sem terem
financiamento suficiente.Ao mesmo tempo,
propõe-se aumentar o orçamento das pescas para dois mil milhões de
euros, uma vez que a Comissão Europeia previa um corte de quase 70%
neste setor, mas mesmo com este reforço o financiamento das pescas
continuará abaixo do nível do atual QFP (em cerca de 38,5% inferior).Já na agricultura são sugeridos ajustamentos para dar mais flexibilidade à Política Agrícola Comum.Em
julho de 2025, a Comissão Europeia propôs um novo orçamento da UE a
longo prazo, para 2028-2034 de dois biliões de euros, acima dos 1,2
biliões do atual quadro, que inclui mais contribuições nacionais e três
novos impostos.O Parlamento Europeu quer
um orçamento mais ambicioso, defendendo contribuições nacionais
equivalentes a 1,27% do RNB da UE, face aos 1,15% propostos pela
Comissão Europeia, sem incluir os encargos associados ao reembolso da
dívida dos Planos de Recuperação e Resiliência (0,11% do RNB).Ao
todo, e mesmo sem incluir tais juros, o QFP proposto pelo Parlamento
Europeu ronda os 2,014 biliões, o que se compara aos dois biliões
propostos pelo executivo comunitário incluindo o reembolso da dívida,
estando em causa um aumento de cerca de 10%.Os
colegisladores (eurodeputados e países) vão trabalhar nos documentos
técnicos e nos processos negociais com vista a um acordo até final do
ano.