Eurodeputados apreensivos com centralização dos fundos de coesão
17 de jul. de 2025, 17:19
— Lusa/AO Online
Os
deputados do Parlamento Europeu que integram a Comissão de
Desenvolvimento Regional debateram com o vice-presidente do
executivo comunitário Raffaele Fitto a proposta de orçamento da UE para o
período entre 2028 e 2034, cujas linhas gerais ficaram a ser conhecidas
na quarta-feira.Os eurodeputados desta
comissão “levantaram preocupações” sobre a “centralização das decisões
sobre os fundos de coesão”, indicou um comunicado divulgado após o
encontro.Na ótica dos eurodeputados, as
decisões sobre o dinheiro para a coesão vão “afastar-se das autoridades
locais e regionais”, pelo que defendem um esforço adicional para
envolvê-las nas decisões.Os representantes
também advertiram a Comissão Europeia de que o novo Quadro Financeiro
Plurianual não pode “levar a arranjos governativos mais complicados” e
acrescentaram que estão preocupados que haja quem tenha de “fazer mais
com menos” enquanto aumentam as preocupações para a União Europeia.Após
várias horas de negociações entre os comissários europeus, foi
apresentado em Bruxelas o primeiro pacote de proposta sobre o próximo
Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2028-2034, com um envelope total de
dois biliões de euros em autorizações (a preços correntes), assente em
contribuições nacionais (com base no rendimento bruto nacional) de
1,26%.Além destas contribuições nacionais,
as novas receitas (recursos próprios) agora propostas pela Comissão
Europeia abrangem um imposto especial sobre o consumo de tabaco, um
recurso empresarial para a Europa (CORE) e impostos sobre os resíduos
eletrónicos e o comércio eletrónico.Estima-se
que, em conjunto, estes novos recursos próprios e outros elementos do
pacote gerem receitas de aproximadamente 58,5 mil milhões de euros por
ano (a preços correntes).O atual orçamento
da UE a longo prazo (2021-2027) é de 1,21 biliões de euros (o que
inclui cerca de 800 mil milhões de euros a preços correntes do Mecanismo
de Recuperação e Resiliência, que financia os Planos de Recuperação e
Resiliência -PRR), envolvendo contribuições nacionais de 1,1%.A
proposta prevê uma simplificação do orçamento da UE a longo prazo, que
passa a incluir 16 programas em vez de 52, dividindo-se em 865 mil
milhões de euros em planos de parceria nacionais e regionais (nos quais
estão os fundos estruturais agrícolas e de coesão) e em 410 mil milhões
de euros para o novo Fundo Europeu para a Competitividade (incluindo o
Horizonte Europa e o Fundo de Inovação).Acrescem
200 mil milhões de euros para a ação externa da UE, 49 mil milhões de
euros para o Erasmus+ & AgoraEU e 292 mil milhões de euros para o
restante.