Eurodeputado do PS diz que agricultores açorianos precisam de mais influência política de Bolieiro
Hoje 11:44
— Lusa/AO Online
O
presidente do Governo Regional dos Açores, o social-democrata José
Manuel Bolieiro, considerou “insano” os agricultores da região
ficarem excluídos dos apoios da República para mitigar os efeitos dos
custos de produção, partilhando o descontentamento de dirigentes do
setor.“Se hoje aqui, nos Açores,
celebramos o Dia Nacional da Agricultura e se o Governo do país é
responsável pelos portugueses todos e pela agricultura nacional, quando
se assume como responsável de medidas nacionais, é insano, é
inaceitável, que exclua os Açores das medidas nacionais de apoio justo a
combater os sobrecustos dos fatores de produção numa conjuntura muito
difícil como é a atual”, declarou.O líder
do Governo açoriano falava nas comemorações do Dia Nacional da
Agricultura, no Mercado Agrícola de Santana, em Rabo de Peixe, no
concelho da Ribeira Grande, num evento promovido pela Associação
Agrícola de São Miguel, após ouvir preocupações do presidente da
associação e da Confederação dos Agricultores de Portugal.No
seu discurso, José Manuel Bolieiro solicitou que o Governo da República
“se faça justo e seja um Governo do país” e que as medidas nacionais
“incluam o país inteiro”.“Os fatores de
produção estão hoje como nunca mais caros, seja no que diz respeito aos
combustíveis, seja no que diz respeito aos fertilizantes, entre todos os
outros […]. Mas, nesta medida excecional é, repito, inaceitável. E se
há uma tendência para o erro, o que é preciso [é] alertar para a
necessária correção”, exortou.Em reação às
declarações do governante, o eurodeputado e socialista açoriano André
Franqueira Rodrigues referiu, numa declaração enviada à agência Lusa,
que os Açores “enfrentam custos de produção agrícola muito superiores
aos do continente, desde os transportes aos fertilizantes, à alimentação
animal e à energia”.“Excluir a região de
medidas nacionais de apoio ao setor agrícola é ignorar essa realidade
objetiva e penalizar quem produz em condições mais difíceis”,
acrescentou.Depois de referir que o
presidente do Governo Regional “não pode limitar-se a declarações
indignadas sempre que os Açores ficam para trás”, salientou que a
situação “resulta também da incapacidade de José Manuel Bolieiro em
fazer valer a sua influência política dentro do seu próprio espaço
partidário”.“O PSD governa os Açores,
governa a República e a sua família política lidera a Comissão Europeia.
Se os agricultores açorianos são excluídos de apoios nacionais, então o
problema também está na falta de capacidade de José Manuel Bolieiro em
defender os interesses da região”, acrescentou André Franqueira
Rodrigues.As declarações de José Manuel
Bolieiro também motivaram uma reação do líder do grupo parlamentar do
PS/Açores, Berto Messias, que considerou que, “mais do que discursos,
espera-se de um presidente do Governo capacidade para influenciar
decisões a favor dos Açores”.“Aparece
agora muito indignado, mas esteve ao lado do primeiro-ministro num
Conselho de Ministros e não conseguiu garantir uma única linha na
declaração conjunta sobre esta matéria”, o que demonstra “falta de
influência política e incapacidade de defender os interesses da região
junto da República”, afirmou.Berto Messias
recordou ainda que o PS/Açores já tinha alertado para a situação
através do líder regional socialista e deputado à Assembleia da
República, Francisco César, que acusou o Governo da República de não
cumprir a lei ao “continuar sem transferir os 23 milhões de euros
previstos no Orçamento do Estado para apoiar a agricultura açoriana”.Para
Berto Messias, se o Governo da República “não cumpre aquilo que está
previsto na lei e continua a deixar os Açores de fora destes apoios
extraordinários, então o Governo Regional tem de deixar de se limitar às
declarações e assumir a responsabilidade de encontrar respostas
próprias para proteger os agricultores açorianos”.“O que os agricultores esperam é menos encenação e mais resultados”, disse, citado em nota de imprensa.