Eurodeputada Marisa Matias acusa Governo de inação no controlo da inflação
27 de ago. de 2022, 12:21
— Lusa /AO Online
“A inflação agravou-se com a guerra [na Ucrânia], mas a sua origem é muito anterior. Lembram-se de quando o Governo garantia que a inflação seria passageira? Hoje já toda a gente sabe que não é”, disse no Fórum Socialismo, que decorre até domingo, durante a sessão internacionalista “A Europa dos Povos”.Marisa Matias sublinhou que “quem paga a conta do supermercado e da energia” conhece o aumento da inflação, “num país em que tudo aumenta, dos bens essenciais aos dividendos das grandes empresas, em que só os salários vão ficando sempre estagnados”.“Ao preferir travar os salários à especulação dos preços, a inação do Governo só promete uma coisa: a quem trabalha uma vida mais difícil ainda”, sublinhou a eurodeputada bloquista, salientando que o grande desafio passa medidas económicas e financeiras que permitam colocar as pessoas e a natureza à frente das prioridades.Para isso, “é, obviamente, necessário romper o caminho dos lucros ilimitados e da exploração das pessoas e da natureza”, defendendo a eliminação dos combustíveis fósseis da base do crescimento económico e a reintrodução do “controlo público dos setores económicos estratégicos”.“A crise climática, o aumento das desigualdades e da injustiça e a ameaça às democracias pelas forças da extrema-direita têm de ser enfrentadas com ações setoriais concretas e respostas combinadas, que permitam um compromisso com a justiça global, a proteção de quem trabalha e distribuição da riqueza e do poder”, sublinhou.“Nunca devemos subvalorizar a guerra nem o armamento, nem ignorar a crise estrutural da própria crise do sistema capitalista”, disse a eurodeputada do BE, acrescentando que é necessário “um caminho de reivindicações e ações que incidam sobre o sistema e o transformem”.Salientando que a Europa está dominada pela agressão imperialista da Rússia à Ucrânia, com a crise climática no centro da política, Marisa Matias considerou urgente o diálogo para fazer "caminhos e ações comuns”.“É a defesa da ecologia humana que está em causa e isso exige-nos a capacidade de criarmos alianças amplas, que nos ajudem a fazer o caminho do desarmamento controlado, da erradicação das armas de destruição maciça para uma efetiva transição energética”, referiu.“Necessitamos de alianças nacionais e internacionais que possam abranger setores laicos e religiosos, dissidentes do militarismo e partidários da paz, forças políticas e movimentos sociais, figuras públicas e massas populares, artistas, cientistas, académicos e outros profissionais”, acrescentou.A eurodeputada do BE criticou ainda a Europa por “décadas de promessas e muito poucos avanços” na ação climática e de manter uma “política económica de exploração da natureza, dos recursos e das pessoas, que continua a destruir as fundações da própria vida e do próprio planeta”.Numa análise às eleições angolanas, cujos resultados provisórios apontam para a vitória do Movimento Pela Libertação de Angola (MPLA), Marisa Matias apontou duas certezas: “o regime cleptocrata do MPL perde milhares de votos e tem significativas derrotas, desde logo em Luanda” e que "A mudança em Angola não nasceu na última quarta-feira [dia das eleições], nem tão-pouco na campanha eleitoral”.Na sessão internacionalista “A Europa dos Povos”, que abriu com a intervenção do dirigente bloquista José Manuel Pureza, interveio ainda a eurodeputada do Podemos Idóia Villanueva e do deputado do Sinn Féin Paul Maskey.O Fórum Socialismo, organizado pelo BE, decorre até domingo com a realização de 46 debates, encerrando com a intervenção da líder Catarina Martins.