Eulálio ainda tem uma aposta para cumprir, mas já sabe que é incrível vestir-se de rosa
Giro
Hoje 17:05
— Lusa/AO Online
“Ainda
não sei como me sinto, ainda não acredito. É incrível para mim vestir a
camisola rosa. Todo o dia de hoje foi de loucos, temos de ver o que
fazer nos próximos dias”, confessou o jovem português de 24 anos aos
microfones da Eurosport.O figueirense da
Bahrain Victorious, a participar apenas pela segunda vez numa grande
Volta, tornou-se hoje no terceiro português a liderar o Giro, depois de
Acácio da Silva (1989) e João Almeida (2020). “Na
subida íngreme, a 50 quilómetros, acreditei [que podia chegar à
liderança] e fui ‘all in’ para isto, mas também para a etapa. Queria
mesmo ganhar a etapa, porque tenho uma aposta com Damiano Caruso [seu
colega] de que se vencer duas tiradas [neste Giro] me oferecem mais um
ano de contrato. Não ganhei, mas há mais oportunidades”, revelou.Seis
anos depois de Almeida, ausente desta Volta a Itália por não estar a
100%, Afonso Eulálio subiu ao pódio, em Potenza, envergando a
‘maglia rosa’, que conquistou ao integrar a fuga da quinta etapa.“Sem
o Santiago [Buitrago], abriram-se oportunidades. Este dia também é para
o Santiago, que não está aqui connosco”, declarou, referindo-se àquele
que era o líder da Bahrain Victorious neste Giro, mas que desistiu por
ter estado envolvido na queda grave da segunda etapa.O português esteve em fuga 180 dos 203 quilómetros entre Praia a Mare e
Potenza, isolou-se com Igor Arrieta na subida à Montagna Grande di
Viggiano, sofreu uma queda na parte final e beneficiou de um engano do
espanhol para entrar sozinho nos derradeiros 300 metros, mas acabou por
ser superado pelo ciclista da UAE Emirates perto do risco, sendo segundo
a dois segundos do vencedor.“No final, se
tivesse conseguido chegar sem a queda seria melhor, mas foi um dia
super, superdifícil, com as subidas, a meteorologia. Em alguns momentos,
senti que não estava no meu melhor, mas penso que todos [os fugitivos]
sentiram o mesmo e, no final, senti-me bastante bem”, resumiu.O
luso tem 02.51 minutos de vantagem sobre o vencedor do dia, que cumpriu
a tirada em 05:07.51 horas, e 03.34 sobre o italiano Christian Scaroni
(XDS Astana), que é terceiro. “Tenho dias
muito, muito bons. Tento trabalhar com a equipa para ser mais
consistente, e não ter tantos altos e baixos. Trabalhamos duro para
isto”, assumiu, prevendo uma “boa” festa na Figueira da Foz.Antigo
campeão nacional de fundo de sub-23 (2022), o nono classificado dos
últimos Mundiais prometeu que vai tentar o seu melhor nos próximos dias
para defender a liderança da geral. Depois
de se ter estreado no Giro no ano passado, desistindo na 19.ª etapa,
Afonso Eulálio chegou à ‘maglia rosa’ na sua segunda participação na
prova italiana e vai vestir o símbolo mais emblemático da corrida na
quinta-feira, na sexta etapa, que vai ligar Paestum a Napóles em 142
quilómetros essencialmente planos.