EUA retiram parte do pessoal da embaixada na capital do Haiti devido à violência
10 de mar. de 2024, 20:38
— Lusa
“O aumento
da violência dos gangues nas imediações da embaixada dos Estados Unidos e
do aeroporto levou o Departamento de Estado a tomar medidas para a
partida de mais pessoal”, declarou a embaixada nas redes sociais.A
operação, conduzida pelo exército norte-americano, foi efetuada por
helicóptero no sábado à noite, segundo residentes locais citados pela
agência francesa AFP“Este transporte aéreo
de pessoal de e para a embaixada faz parte dos nossos procedimentos
planeados para reforçar a segurança da embaixada”, disse o exército
norte-americano num comunicado.A embaixada dos Estados Unidos em Port-au-Prince continua aberta, segundo a mesma fonte.Port-au-Prince,
palco de confrontos entre polícias e bandos armados, é “uma cidade
sitiada”, advertiu no sábado o responsável no Haiti pela Organização
Internacional para as Migrações (OIM), Philippe Branchat.“Os habitantes da capital estão a viver confinados, sem terem para onde ir”, descreveu.Bandos criminosos controlam a maior parte da capital e as estradas que conduzem ao resto do país caribenho.A
situação agravou-se desde a semana passada, e resultou na libertação de
milhares de presos, incluindo muito líderes de gangues, e numa escalada
de violência nas ruas.Há vários dias que
os bandos atacam esquadras de polícia, prisões e tribunais na ausência
do primeiro-ministro Ariel Henry, cuja demissão é pedida pelos
criminosos e por uma parte da população. De acordo com as últimas notícias, Henry encontra-se retido em Porto Rico após uma viagem ao estrangeiro.Perante
a violência, dezenas de habitantes ocuparam no sábado as instalações de
um gabinete da administração pública em Port-au-Prince, na esperança de
aí encontrarem refúgio, segundo a AFP.O
Governo haitiano declarou o estado de emergência no departamento
ocidental, que inclui a capital, Port-au-Prince, bem como um recolher
obrigatório noturno, difícil de aplicar pelas forças de segurança já
sobrecarregadas com os bandos criminosos.O
Papa Francisco manifestou-se hoje preocupado com a situação e apelou a
todas as partes para que trabalhem em prol da paz e da reconciliação no
final da celebração do Angelus, na Cidade do Vaticano.De
acordo com a OIM, 362.000 pessoas, mais de metade das quais crianças,
estão atualmente deslocadas no Haiti, um número que aumentou 15% desde o
início do ano.O Fundo das Nações Unidas
para a Infância (UNICEF) alertou na quinta-feira para o “nível sem
precedentes de ilegalidade” que se vive no Haiti, onde duas em cada três
crianças necessitam de assistência humanitária.