EUA pedem responsabilização por morte da jornalista Abu Akleh que Israel admite ser acidental
6 de set. de 2022, 16:35
— Lusa/AO Online
“Congratulamo-nos com a
investigação de Israel deste trágico incidente e novamente ressaltamos a
importância de apurar responsabilidades neste caso, como políticas e
procedimentos para evitar que incidentes semelhantes ocorram no futuro”,
frisou o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned
Price.O Exército israelita admitiu esta
segunda-feira poder ter disparado “acidentalmente” contra a jornalista
palestiniano-norte-americana Shireen Abu Akleh, que morreu a 11 de maio
após ser atingida com um tiro na cabeça, mas recusou abrir uma
investigação criminal.Segundo o exército
israelita, que deu conta dos resultados da investigação ao incidente
registado na sequência de uma incursão militar no campo de refugiados de
Jenin, na Cisjordânia, as tropas de Israel “atuaram corretamente”
quando “confrontadas com disparos feitos por milícias palestinianas”.“Foi
decidido não abrir uma investigação criminal sobre este caso”, disse um
porta-voz militar israelita ao falar sobre o incidente que levou à
morte da jornalista da Al Jazira, que se encontrava no local em
reportagem.O porta-voz do Departamento de
Estado norte-americano realçou, no comunicado, que os EUA têm “como
prioridade mitigar e responder aos danos civis causados por operações
militares”.Recentemente, o Departamento de
Defesa dos EUA destacou a necessidade de melhorar as suas próprias
avaliações e práticas para garantir a mitigação de danos civis e
continuaremos a compartilhar as melhores práticas com nossos parceiros
militares e aliados em todo o mundo, acrescentou.Ned Price frisou ainda o sofrimento da família de Abu Akleh pela “tremenda perda”.“Shireen
não era apenas uma cidadã norte-americana, era uma repórter destemida
cujo jornalismo e procura pela verdade lhe renderam o respeito do
público em todo o mundo”, concluiu Price.Segundo
as conclusões da investigação, “há uma grande possibilidade” de Abu
Akleh “ter sido atingida acidentalmente por fogo do exército contra
suspeitos identificados como milicianos palestinianos armados”, tanto
mais que, acrescentou o porta-voz, as forças israelitas foram alvejadas a
partir de diferentes direções.O exército
disse acreditar que havia milicianos palestinianos “nas proximidades” do
grupo de quatro de jornalistas em que Abu Akleh se encontrava.Por
isso, acrescentam, não se pode descartar a possibilidade de a
jornalista ter sido atingida por “balas disparadas por milicianos
palestinianos”, pois os tiros “vinham de todos os lados” numa zona que
era um “campo de batalha”.No entanto,
testemunhas asseguraram que na área onde os jornalistas estavam não
havia qualquer presença de grupos armados palestinianos.Por
sua vez, a investigação da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP)
indicou que a experiente jornalista foi “deliberadamente atingida” por
soldados israelitas.Ao tomar conhecimento da decisão do exército israelita, a família de Abu Akleh disse estar “magoada, frustrada e desapontada”.A
família afirmou que vai continuar a pressionar membros do Congresso dos
Estados Unidos, organizações da sociedade civil e a imprensa para que
mantenham pressão sobre o presidente norte-americano, Joe Biden,
salientando que também levarão o caso ao Tribunal Penal Internacional.Nas
conclusões da investigação, o exército israelita sublinhou que “nenhum
soldado” disparou de forma intencional contra o grupo de jornalistas,
uma vez que, sustenta, “não podiam distinguir” que os quatro repórteres
lá se encontravam.No entanto, várias
testemunhas indicaram que os quatro jornalistas estavam perfeitamente
identificados como tal, já que usavam os coletes antibala azuis a
indicar “imprensa”.