EUA apresentam candidatura para voltar ao Conselho de Direitos Humanos da ONU
24 de fev. de 2021, 16:00
— Lusa/AO Online
“Tenho o
prazer de anunciar que os Estados Unidos vão concorrer a um assento no
Conselho de Direitos Humanos para o mandato 2022-2024”, afirmou Blinken,
durante uma intervenção por videoconferência feita naquele organismo
das Nações Unidas.“Pedimos humildemente
que todos os Estados-membros das Nações Unidas apoiem o nosso desejo de
voltar a ocupar um lugar nesta instituição”, acrescentou.A
administração Trump anunciou, em junho de 2018, que ia abandonar a
instituição, que constitui o órgão máximo da ONU no campo da defesa dos
direitos humanos, acusando-a de hipocrisia e de prejudicar Israel.“Os
Estados Unidos colocam a democracia e os direitos humanos no centro de
sua política externa, porque são essenciais para a paz e a
estabilidade”, justificou Blinken.“Esta
ligação está enraizada na nossa própria experiência de uma democracia
imperfeita e, muitas vezes, aquém dos nossos próprios ideais, mas que
tenta sempre tornar-nos um país mais unido, mais respeitoso e mais
livre”, adiantou em declarações que contrastam com a posição seguida
pelo seu antecessor, Mike Pompeo.Embora
Blinken tenha elogiado a utilidade do Conselho e sublinhado a sua
importância, em particular para chamar rapidamente a atenção para as
crises, o diplomata norte-americano aconselhou os membros do organismo a
repensarem o seu funcionamento.“Encorajamos
o Conselho de Direitos Humanos a examinar a forma como funciona,
incluindo a atenção desproporcional dada a Israel”, alertou, sugerindo
tratar Israel e os territórios palestinianos como qualquer outro país.Além disso, defendeu, os países “que têm um mau histórico de direitos humanos não deveriam ser membros deste Conselho”.A
China, a Rússia, mas também a Venezuela, Cuba ou mesmo os Camarões, a
Eritreia e as Filipinas são regularmente criticados por organizações de
direitos humanos e outros países pela forma como tratam seus cidadãos.Blinken
criticou especificamente a Rússia pelo tratamento dado aos que se opõem
ao Kremlin, citando Alexei Navalny, mas também denunciou as
“atrocidades” cometidas por Pequim na região de Xinjiang e a situação em
Hong Kong.O responsável pelos Negócios
Estrangeiros dos Estados Unidos lembrou ainda que os Estados Unidos
marcaram seu retorno ao Conselho dos Direitos Humanos ao condenar o
golpe de Estado em Myanmar (antiga Birmânia).A
estratégia do ex-Presidente norte-americano de deixar “vazia” a cadeira
dos Estados Unidos – devido a uma desconfiança visceral no
multilateralismo – criou um vácuo no Conselho dos Direitos Humanos, mas
também na Organização Mundial da Saúde, por exemplo - que foi
rapidamente ocupado pelas diplomacias chinesa e russa.O
Conselho dos Direitos Humanos tem 47 membros de pleno direito eleitos
pela maioria dos Estados da Assembleia Geral da ONU para um mandato de
três anos, enquanto os restantes países mantêm estatuto de observadores.Os
Estados Unidos são o único membro permanente do Conselho de Segurança
da ONU que não tem assento na atual sessão do Conselho de Direitos
Humanos, que começou esta semana.