EUA apoiam diálogo entre oposição e Governo para uma transição democrática

Venezuela

Hoje 17:12 — Lusa/AO Online

“Este esforço tem o nosso apoio, o apoio dos mais altos níveis do Governo norte-americano, e creio que é importante concentrarmo-nos nisso. Desejamos-lhe toda a sorte do mundo”, disse Marco Rubio perante a imprensa no início de uma reunião com Figuera no Departamento de Estado.Rubio recebeu pela primeira vez em Washington Dinorah Figuera, que lidera desde agosto um bloco da oposição que mantém um diálogo com a formação política da Presidente interina, Delcy Rodríguez, impulsionado pelos Estados Unidos (EUA), e no qual a líder da oposição María Corina Machado não participa diretamente.O chefe da diplomacia norte-americana assegurou que o processo deve contar com a participação de todos os setores da sociedade e “tem de resultar em eleições livres e democráticas”, embora tenha sublinhado que não se trata apenas de realizar eleições, mas também de “estabelecer as instituições necessárias para manter essa democracia”.Rubio classificou o diálogo como um “processo difícil”, cuja próxima ronda está marcada para 14 de outubro, mas mostrou-se confiante de que “continuará a ter resultados positivos”.“Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que este processo alcance o que todos desejamos: não apenas eleições livres e democráticas o mais rapidamente possível, porque isso é, sem dúvida, necessário, mas sim uma democracia, uma república capaz de governar o país e que perdure de forma permanente”, concluiu.Segundo um comunicado do Departamento de Estado norte-americano divulgado após a reunião, Rubio terá destacado igualmente "os passos dados este ano no sentido da criação de um Supremo Tribunal de Justiça independente" e a "libertação de mais de 1.200 presos políticos" na Venezuela.Assinalou também o restabelecimento do acesso a "sites de meios de comunicação social que estavam bloqueados e os esforços para reformar a Lei contra o Ódio como marcos importantes para a restauração das liberdades fundamentais do povo venezuelano", segundo a nota oficial. Por seu lado, Figuera afirmou que o diálogo que lidera procura garantir “o caminho e o roteiro para que haja eleições”.A ex-deputada agradeceu aos Estados Unidos por terem aberto um “caminho de esperança para a Venezuela” no dia 03 de janeiro, quando forças norte-americanas capturaram o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas.Figuera considerou que o esforço que lidera “é um processo viável” e salientou que conta com “o apoio dos Estados Unidos”.Também os partidos políticos venezuelanos Primero Justicia (PJ) e Voluntad Popular (VP) saudaram hoje o encontro entre Rubio e Figuera e valorizaram o apoio do representante norte-americano à recuperação do país.“Agradecemos ao Secretário de Estado Marco Rubio pelo seu apoio à democracia e à recuperação do nosso país”, afirmou o Voluntad Popular numa mensagem publicada na rede social X.Além disso, afirmou que o objetivo do diálogo é alcançar eleições livres e democráticas, com garantias reais para que a vontade popular se manifeste e seja respeitada.O VP salientou que o próximo dia 14 de outubro, quando tiver início o terceiro ciclo de diálogo com o chavismo (movimento político associado ao antigo líder venezuelano Hugo Chávez), representa uma nova oportunidade para avançar.Já o Primero Justicia afirmou que a negociação deve também conduzir à reconstrução das instituições do país, entre as quais a Força Armada Nacional Bolivariana e o sistema judicial.“Convidamos todos os setores da oposição e da sociedade civil a acompanharem este esforço, com o objetivo de alcançar a libertação de todos os presos políticos, a recuperação das instituições e uma transição que garanta liberdade, justiça e democracia para a Venezuela”, acrescentou o partido.Após a captura de Maduro e da mulher Cilia Flores, os Estados Unidos restabeleceram as relações diplomáticas com a Venezuela e estreitaram os laços com o Governo de Delcy Rodríguez, com o qual chegaram a um acordo petrolífero para controlar parte das reservas do país. Esta aproximação tem sido criticada por quem considera que Washington só está interessado no petróleo e não na democratização do país.