EUA admitem que "talibãs moderados" integrem governo do Afeganistão
23 de out. de 2017, 18:33
— Lusa/AO online
O
secretário de Estado norte-americano, que falava com um pequeno grupo
de jornalistas na base aérea de Bagram, a norte de Cabul, reforçou por
outro lado a pressão sobre o vizinho Paquistão para que não permita a
presença de grupos terroristas no seu território. Tillerson
realizou hoje uma visita não anunciada ao Afeganistão, durante a qual se
reuniu com o presidente, Ashraf Ghani, com o presidente executivo
[cargo criado em 2014, equivalente ao de primeiro-ministro], Abdullah
Abdullah, e com outros dirigentes. "Vamos naturalmente ter de
continuar a combater os talibãs, e outros, para que compreendam que
nunca vão ter uma vitória militar", disse Tillerson. "E há,
acreditamos, elementos moderados entre os talibãs, elementos que não
querem combater para sempre. Que não querem que os seus filhos combatam
para sempre. E nós queremos envolvê-los num processo de reconciliação
que conduza a um processo de paz e à sua participação plena no governo",
acrescentou. "Há lugar para eles no governo se estiverem
preparados para vir, renunciar ao terrorismo, renunciar à violência e
empenhar-se num Afeganistão estável e próspero", disse. A visita
de Tillerson, que o vai levar ainda esta semana à Índia e ao Paquistão,
destina-se a apresentar a política asiática da administração do
presidente Donald Trump, que nestes três países se centra no combate aos grupos extremistas. "Queremos
trabalhar com os nossos parceiros para garantir que não há ameaças na
região [...] Estamos a trabalhar de perto com o Paquistão", disse. "O
Paquistão precisa de ter uma visão clara da situação com que se
confronta em matéria de organizações terroristas que encontram um
refúgio seguro no território. E queremos trabalhar com o Paquistão para
criar um Paquistão mais estável e mais seguro". Esta primeira
visita de Tillerson ao Afeganistão desde que tomou posse serviu também
para o secretário de Estado afirmar o empenho dos Estados Unidos na
estabilização do país, com o anúncio do destacamento de mais 3.000
militares, a juntar aos 11.000 já no terreno para dar formação e apoio
às forças afegãs.