EUA acusam Venezuela de não investigar nem punir violações dos Direitos Humanos
10 de mai. de 2024, 12:48
— Lusa/AO Online
A posição de
Washington foi expressa no “Relatório sobre Direitos Humanos – Venezuela
2023”, divulgado online pela Embaixada dos Estados
Unidos.“Os representantes de Nicolás
Maduro não tomaram quaisquer medidas ou ações credíveis para identificar
e punir os funcionários que possam ter cometido violações dos Direitos
Humanos”, de acordo com o documento, de 76 páginas.O
mesmo documento apontou como “principais preocupações em matéria de
Direitos Humanos relatórios credíveis de homicídios ilegítimos ou
arbitrários, incluindo execuções extrajudiciais, desaparecimentos
forçados, tortura ou tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou
degradantes por parte das forças de segurança”.O
relatório incluiu dados da organização não-governamental (ONG) Programa
Venezuela de Educação – Ação em Direitos Humanos (Provea) e da Fundação
Centro Gumilla, que dão conta de 355 alegadas execuções extrajudiciais
no contexto de operações de segurança no primeiro semestre do ano
passado.A Polícia Nacional Bolivariana é
apontada com responsável por 27% dos homicídios, seguindo-se o Corpo de
Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC, 19%), as
Forças Armadas Bolivarianas da Venezuela (FANB, 18%). As polícias
estaduais ou regionais forma responsáveis por 17% dos casos.A
maioria das vítimas, 96%, era do sexo masculino, 60% das quais com
idades entre 18 e 30 anos, e sobretudo oriundas de zonas pobres do país,
referiu.Ao citar a ONG Monitor do Uso de
Força Letal, o relatório precisou que as forças de segurança estiveram
envolvidas em 432 mortes, registadas entre 01 de janeiro e 20 de agosto.“Não
se registaram esforços credíveis por parte do Ministério Público, do
Gabinete do Provedor de Justiça ou do sistema judicial para investigar e
punir os autores de mortes arbitrárias”, sublinhou.Os
EUA manifestaram ainda preocupação pelas “condições de prisão duras e
potencialmente letais, prisão ou detenção arbitrária pelas forças de
segurança, problemas graves de independência do poder judicial, presos
ou detidos políticos, interferência arbitrária ou ilegal na vida
privada, castigos a familiares por alegados crimes cometidos por um
parente, recrutamento ilegal ou utilização de crianças por grupos
armados ilegais”.“Restrições severas à
liberdade de expressão e à liberdade de imprensa, incluindo violência ou
ameaças de violência contra jornalistas, detenções injustificadas ou
ações judiciais contra jornalistas, censura e aplicação ou ameaça de
aplicação de leis penais de difamação para limitar a expressão”, são
algumas das preocupações do relatório.O
documento apontou ainda “restrições severas à liberdade na Internet,
ingerências substanciais na liberdade de reunião pacífica e de
associação, incluindo leis excessivamente restritivas sobre a
organização, o financiamento ou o funcionamento de organizações não
governamentais e da sociedade civil”.“Restrições
à liberdade de circulação e à possibilidade de sair do país, a
incapacidade dos cidadãos de mudarem pacificamente o seu governo através
de eleições livres e justas, restrições severas e irrazoáveis à
participação política, corrupção governamental grave, e perseguição de
organizações nacionais e internacionais de direitos humanos”, lê-se no
documento.No documento, os EUA
manifestaram ainda preocupação pela situação de violência generalizada
com base no género, doméstica e sexual, no local de trabalho e
feminicídio.