EUA abertos a diálogo direto com Irão sobre programa nuclear
Nuclear
28 de ago. de 2025, 17:26
— Lusa/AO Online
Em
comunicado difundido pela diplomacia de Washington, Marco Rubio saudou a
decisão de França, Alemanha e Reino Unido, justificada com
incumprimento do acordo que regula o programa nuclear iraniano, e
mostrou-se disponível para reatar o diálogo com Teerão e “encontrar uma
solução pacífica e duradoura”.Segundo uma
carta hoje divulgada, os três países europeus, que constituem o grupo
conhecido como E3, notificam o Conselho de Segurança da ONU, “com base
em provas factuais”, que o Irão “está em incumprimento significativo dos
seus compromissos” do acordo nuclear de 2015.Israel
também reagiu à decisão hoje anunciada pelo E3 e considerou que é "um
passo importante para travar o programa nuclear iraniano" e fazer
“pressão sobre o regime".O embaixador
israelita na ONU, Danny Danon, comentou em comunicado que “o Irão
continua a ignorar a comunidade internacional e a violar os seus
compromissos repetidamente” e agora “os países do mundo estão a
juntar-se a esta luta contra o eixo do mal".Israel
iniciou em junho um conflito que durou 12 dias com o Irão, com o
argumento de que a Republica Islâmica estava perto de obter uma arma
nuclear, o que era refutado por Teerão.No
mesmo mês, os Estados Unidos bombardearam três instalações nucleares
iranianas, mas é incerto os danos que os ataques norte-americanos e
israelitas provocaram no programa iraniano.Os
países europeus têm vindo a ameaçar Teerão há meses e a ativação do
mecanismo de sanções surge poucas semanas antes do fim do ultimato e
numa altura em que a diplomacia está paralisada e as relações entre
Teerão e Agência Internacional d Energia Atómica (AEIA) bastante
reduzidas.O E3 "fará pleno uso do período
de 30 dias" para tentar encontrar uma solução negociada e evitar com
sucesso a reimposição de sanções, indicaram os três países europeus na
carta ao Conselho de Segurança, assinada pelos respetivos chefes das
diplomacias.Em reação, o secretário de
Estado norte-americana comentou que Washington aprecia “a liderança dos
aliados do E3 neste esforço” e indicou que, nas próximas semanas, irá
trabalhar com eles e outros membros do Conselho de Segurança para
“concluir com sucesso a reimposição das sanções e restrições
internacionais contra o Irão".Marco Rubio
destacou que aqueles países europeus “expuseram claramente o contínuo e
significativo incumprimento” do Irão dos seus compromissos nucleares e
que já podiam ter iniciado o processo de reimposição de sanções em
qualquer momento desde 2019.No entanto,
optaram por "procurar primeiro um maior envolvimento e diálogo para
proporcionar ao Irão uma saída diplomática para a sua estratégia de
escalada nuclear", prosseguiu o chefe da diplomacia de Washington.Para
o Irão, a decisão dos países europeus é porém “ilegal e injustificada” e
a cooperação com a AIEA poderá ficar “seriamente em risco”.Em
comunicado, a diplomacia iraniana indicou que o ministro dos Negócios
Estrangeiros, Abbas Araghchi, falou por telefone com os homólogos do E3,
a quem transmitiu que espera que “corrijam adequadamente esta decisão
errada nos próximos dias" e atendendo às “realidades existentes”.A
Rússia, que a par de Estados Unidos, França, Reino Unido e China é um
dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, colocou-se ao
lado do seu aliado iraniano e acusou os países do E3 de agirem sem
“qualquer base legal”Segundo Dmitri
Polyanskiy, os países europeus não estão “a implementar de boa-fé” a
resolução 2231 sobre o acordo nuclear iraniano de 2015.De
acordo com a AIEA, antes da guerra, o Irão enriquecia urânio até 60% de
pureza — um pequeno passo técnico para atingir os níveis de 90% para a
obtenção de armas - e desenvolveu também um ‘stock’ de urânio altamente
enriquecido suficiente para produzir múltiplas bombas atómicas, caso
optasse por fazê-lo.A Assembleia-Geral da ONU, que decorrerá em setembro, deverá ter o Irão como um dos seus principais temas.