Estudos obrigatórios vão atrasar porto espacial de Santa Maria nos Açores
6 de abr. de 2022, 17:50
— Lusa/AO Online
Em
conferência de imprensa, a secretária Regional da Cultura, da Ciência e
Transição Digital, Susete Amaro, explicou que, apesar do lançamento do
concurso publicado esta quarta-feira em Jornal Oficial, com base numa Resolução do
Conselho do Governo aprovada a 21 de março, só recentemente o gabinete
de juristas que acompanha o processo fez saber de exigências legais que
impedem de avançar imediatamente.“Esperamos
que o lançamento do concurso possa ocorrer até ao final do ano, mas
isso vai depender do tempo que os estudos levarem a serem feitos”,
frisou Susete Amaro, referindo-se a avaliações de impacto ambiental e
económico-financeiras que, disse, deviam ter sido também acautelados no
primeiro concurso, lançado pelo anterior executivo socialista, num
procedimento que acabou com a exclusão das duas propostas concorrentes.“Este
concurso consubstancia uma parceria público-privada, mas não foi
considerada como tal” pelo anterior governo socialista, explicou,
na cidade da Horta, Susete Amaro.Segundo
a governante, o facto de o concurso público internacional incluir a
conceção, projeto, construção, financiamento, operação, exploração e
conservação de um porto espacial, de lançamento de pequenos satélites,
obriga, por lei, a realizar, previamente, os estudos de impacto
ambiental e económico-financeiro.“Mesmo
que tivesse adjudicado este concurso a algum dos concorrentes [do
primeiro procedimento], dificilmente teria passado no Tribunal de
Contas. O mais certo é que tivesse sido chumbado, exatamente pela
ausência desses estudos, que eram obrigatórios”, justificou a titular da
pasta da Ciência nos Açores.Susete
Amaro referia-se ao primeiro concurso para a construção do porto
espacial de Santa Maria, lançado em março de 2019 pelo anterior
executivo do PS na região, que acabou anulado, pelo facto de os dois
concorrentes que chegaram à fase final do concurso não cumprirem com
todas as exigências do caderno de encargos.“O novo caderno de encargos está ainda a ser feito, mas será menos exigente”, admitiu a secretária regional.Susete
Amaro notou que o Governo de coligação (PSD, CDS e PPM) não quer lançar
a concurso esta obra, sem antes cumprir com “todos os procedimentos
legais” a que a região está obrigada.O
executivo liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, publicou
hoje, em Jornal Oficial, uma resolução do Conselho de Governo que
autoriza a abertura de um “procedimento de concurso limitado, por prévia
qualificação, com vista ao estabelecimento de um contrato de concessão”
do porto espacial de Santa Maria.A
responsável recusou a ideia de que o executivo esteja “refém” de
determinadas agendas, ou que este processo tenha sido “esquecido” pelo
Governo.Quanto
à localização do futuro “space port”, que inicialmente apontava para a
zona de Malbusca (na zona sul da ilha), o Governo admite agora “estudar”
outra alternativa, que poderá passar por uma zona mais próxima do
Aeroporto de Santa Maria, conhecida como Polígano.“O
que temos, é um estudo que foi encomendado pelo Ministro da Ciência à
Universidade do Texas, em Austin, que indicava Malbusca como melhor
local para a instalação do space port”, recordou a secretária da
Ciência.O Governo dos Açores vai aproveitar “esta fase de estudos para estudar a melhor localização”, acrescentou.