Estudos mostram que 80% dos africanos querem ser vacinados
Covid-19
24 de dez. de 2021, 16:15
— Lusa/AO Online
Segundo os números mais recentes dos
Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), África imunizou 11% da sua população com uma dose única e
cerca de 7,3% foi totalmente imunizada, enquanto a China regista uma
taxa de imunização completa na ordem dos 85%, a Europa e os Estados
Unidos 71% e a Índia cerca de 58%.O
continente recebeu até à mesma data 431 milhões de doses de vacinas, das
quais 244 milhões foram administradas, o que significa que apenas 56%
das doses recebidas foram utilizadas. Estes
números têm sido justificados por alguns analistas com a hesitação
vacinal no continente, mas o diretor do Africa CDC, John Nkengasong,
mostrou na segunda-feira três estudos diferentes que provam que a
resistência à vacina não é maior em África do que no resto do mundo.Numa
reunião ministerial de alto nível realizada por videoconferência,
Nkengasong citou um estudo realizado pela Parceria Para a Resposta à
Covid-19 Baseada na Evidência (PERC, na sigla em inglês), com base em
inquéritos realizados este outono junto de 23 mil pessoas em 19 países
do continente.O estudo conclui que, em
média 78% dos africanos querem ser vacinados, uma taxa que varia de país
para país, de um máximo de 95% em Marrocos até ao mínimo de 43% nos
Camarões.Nkengasong referiu depois um
segundo estudo, publicado recentemente na revista científica Nature
Medicine, que compara as taxas de aceitação da vacina anti-covid-19 em
10 países de baixo e médio rendimento em África, Ásia e América Latina
com as da Rússia e dos Estados Unidos.Este
estudo conclui que, em média, 80% dos habitantes dos países de baixo e
médio rendimento querem ser vacinados, contra 64,6% nos Estados Unidos e
30,4% na Rússia.E Nkengasong citou ainda
um terceiro estudo, do Banco Mundial, segundo o qual 82% da população
africana está disposta a receber a vacina contra o SARS-CoV-2.Segundo
o estudo da PERC, os principais motivos da hesitação em África são:
“não sinto que esteja em risco de apanhar o vírus” para 24% dos
inquiridos; “não sei o suficiente sobre a vacina para me decidir” (22%);
“falta de confiança na vacina ou no Governo” (17%); “a vacina está a
matar pessoas” (16%) e “medo da injeção” (16%).Estas
conclusões estão em linha com outros estudos feitos anteriormente sobre
a resistência às vacinas em África, como mostra um artigo publicado
recentemente pelo Banco Mundial.A
cientista Neia Prata Menezes, primeira autora desse estudo, uma
meta-análise que reúne as conclusões de diferentes estudos realizados no
continente sobre a hesitação da vacina, disse à Lusa que uma das razões
para a resistência à vacinação é a perceção da magnitude da ameaça da Covid-19 ou do risco de a contrair.“Por
exemplo, na República Democrática do Congo ou na Costa do Marfim, as
pessoas que não acreditavam que a Covid-19 existia era improvável que se
quisessem vacinar”, disse a investigadora, de origem angolana.Esta
perceção pode estar relacionada com o facto de a Covid-19 ter chegado
mais tarde a África ou com o facto de os números da pandemia no
continente não serem tão elevados como noutras partes do mundo.Outras
razões apontadas pela consultora do BM e investigadora da Escola de
Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg são a desinformação disseminada
pelas redes sociais, o que é comum ao resto do mundo, assim como a
histórica desconfiança existente em África em relação à medicina
ocidental, provocada por anos de práticas médicas antiéticas no
continente.