Estudo sobre semana dos 4 dias vai ser desenvolvido em articulação com parceiros sociais
2 de jun. de 2022, 17:01
— Lusa/AO Online
“O que
apresentámos foi o lançamento, no âmbito da Agenda do Trabalho Digno, de
um estudo, a desenvolver no seio da Concertação Social, sobre novas
formas de organização dos tempos de trabalho, não necessariamente apenas
a semana dos quatro dias”, disse a ministra do Trabalho, Solidariedade e
Segurança Social.Ana Mendes Godinho
falava no final do Conselho de Ministros que aprovou a proposta de
lei que integra as alterações à legislação laboral identificadas na
Agenda do Trabalho Digno e que segue agora para o parlamento.O
desenvolvimento dos projetos-piloto, disse a ministra, será feito com
empresas “numa base voluntária”, o que permitirá “testar alguns modelos”
de novas formas de organização de tempo de trabalho, “tendo sempre em
conta a preocupação da garantia de proteção dos trabalhadores”.“O
princípio é garantir que os modelos que sejam desenvolvidos sejam numa
lógica de avanços da qualidade de vida e capacidade de conciliação da
vida profissional e familiar”, precisou.Questionada
sobre se estes modelos também serão aplicados na Administração Pública,
Ana Mendes Godinho começou por “reiterar que existe uma política de
convergência entre o regime dos trabalhadores da administração pública e
os trabalhadores do regime privado”.“Todas
as formas de trabalho que estamos a discutir na Agendo do Trabalho
Digno – nomeadamente o estudo sobre novas formas de organização do
trabalho que serão levadas à Concertação Social para discussão –
naturalmente todas estas formas de trabalho também serão estudadas no
âmbito da Administração Pública, no fórum próprio”, precisou a
governante, numa alusão aos órgãos próprios de discussão do regime dos
trabalhadores da função pública.Sobre a
operacionalização dos projetos-piloto, nomeadamente na semana dos quatro
dias de trabalho, a ministra salientou que o objetivo é articular, com
os parceiros sociais, os parâmetros em que estes projetos-piloto vão ser
desenvolvidos.“Para isso é que num
primeiro momento é feito o estudo, para identificar até os requisitos
que presidem à realização destes projetos-piloto”, disse, acrescentando
que será através do referido estudo, a lançar “brevemente” no terreno,
que serão definidos os requisitos em que os projetos-piloto se vão
desenvolver.Acentuando que o objetivo é
“pensar fora da caixa” e que Portugal quer ser pioneiro nesta matéria, a
governante adiantou que os requisitos para as empresas que devem
integrar estes projetos-piloto terão em conta questões como a dimensão e
a representatividade “para garantir que têm conclusões que permitam
fazer uma análise global”.Ana Mendes
Godinho disse ainda que desde que a semana dos quatro dias entrou na
ordem do dia “várias empresas” lhe manifestaram já a sua disponibilidade
para integrar os projetos-piloto.