Estudo serológico estima 1,9% da população infetada na primeira vaga
Covid-19
18 de dez. de 2020, 08:22
— Lusa/AO Online
“Os resultados agora
apresentados permitem estimar em 1,9% a seropositividade global da
população ao vírus SARS-CoV-2 até setembro de 2020”, o que equivale a
cerca de 195 mil pessoas, anunciou o Instituto de Medicina
Molecular João Lobo Antunes (iMM) que desenvolveu este estudo,
financiado em dois milhões de euros pela Sociedade Francisco Manuel dos
Santos e pelo grupo Jerónimo Martins.O
Painel Serológico Nacional Covid-19 (PSN), que decorreu entre 08 de
setembro e 14 de outubro em 102 municípios de Portugal continental e das
ilhas, incluiu uma amostra de cerca de 13 mil voluntários, distribuídos
por nove estratos que cruzaram a densidade populacional e o grupo
etário de forma quase proporcional à população portuguesa.Segundo
o instituto de investigação privado, o PSN permitiu “fazer um retrato
da primeira vaga da covid-19, através da proporção da população que,
mediante avaliação serológica, desenvolveu anticorpos específicos contra
o vírus SARS-CoV-2”.Relativamente aos
resultados por grupo etário, o estudo indica que a prevalência estimada
da covid-19 era mais elevada nos jovens com menos de 18 anos, mas “sem
significado estatístico à escala nacional”.No
grupo de menores de idade a prevalência foi estimada em 2,2%, face aos
2,0% verificada no grupo de voluntários entre os 18 e 54 anos e aos 1,7%
com mais de 54 anos.“A prevalência
estimada aumenta com a densidade populacional, assumindo um valor
estatisticamente superior nas regiões de alta densidade: 2,5% nas
regiões de alta densidade populacional, face a 1,4% nas regiões de média
densidade e 1,2 nas regiões de baixa densidade”, refere ainda o estudo.As
conclusões apontam também para uma seroprevalência “significativamente
superior”, estimada em 3,2%, nos jovens com menos de 18 anos de zonas de
elevada densidade populacional, enquanto que a proporção de
seropositivos é também “muito superior” (27%) entre os voluntários que
tiveram alguém da sua família com covid-19.O
estudo, que foi aprovado pela Comissão de Ética do Centro Académico de
Lisboa, não detetou diferenças de seroprevalência entre homens e
mulheres.Segundo Bruno Silva-Santos,
investigador principal do estudo, os resultados “permitem fazer um
retrato da primeira vaga de covid-19 e mostram que o país conseguiu
achatar a curva na primeira onda da pandemia, o que se traduz numa
prevalência estimada da infeção por SARS-CoV-2 de apenas 1,9%” da
população portuguesa.“Estamos ainda a
trabalhar os dados dos questionários de saúde, fatores associados com a
sintomatologia da covid-19 e outras doenças, o que nos permitirá fazer
uma análise mais completa sobre este retrato da primeira vaga da
pandemia”, referiu o vice-diretor do iMM.A
definição e caracterização da amostra contou com o contributo de
especialistas da Pordata, base de dados organizada pela Fundação
Francisco Manuel dos Santos, e da Faculdade de Medicina da Universidade
de Lisboa, à qual está agregada o iMM.