Estudo revela que há mais pessoas sem dentes e piores hábitos de higiene oral
25 de jan. de 2025, 09:02
— Lusa
“Dos cerca de um milhão de pessoas
que nunca vão ou vão menos de uma vez por ano ao médico dentista, há 300
mil (30%) que apontam a falta de dinheiro como justificação para não
realizarem qualquer consulta de medicina dentária”, uma percentagem que
se agravou 5,6 pontos percentuais (p.p.) em relação a 2023.A
OMD refere que, apesar de não ser possível estabelecer uma relação
direta, “a verdade é que 98,2% dos inquiridos consideram importante e/ou
muito importante o acesso à saúde oral através do Serviço Nacional de
Saúde” e 96,3% defendem que o Estado deveria comparticipar os
tratamentos dentários, tal como faz com os medicamentos.Analisando
a frequência das consultas de medicina dentária, o estudo conclui que
65,4% dos 1.102 inquiridos, com 15 ou mais anos, o fazem pelo menos uma
vez por ano, mais 1 p.p. face a 2023. Contudo, a percentagem de pessoas que nunca marcou uma consulta para ‘check-up’ aumentou 3,6 p.p. para 27,4%.Os
dados também mostram um agravamento de 6,8 p.p. de pessoas com pelo
menos um dente em falta, passando de 58,9% em 2023 para 65,7% em 2024,
assim como da população com seis ou mais dentes em falta, que subiu de
22,8% para 28%.Os dados indicam que são as
mulheres quem tem mais falta de dentes, com apenas 31,7% com dentição
completa, contra 36,8% nos homens.Dos dois terços da população com pelo menos um dente em falta, 57,1% não tem nada a substituir, mais 7,2 p.p. Quando
o indicador em análise passa a ser a falta de seis ou mais dentes,
considerado o número de referência que afeta a qualidade da mastigação e
da saúde oral, também são as mulheres que apresentam os valores mais
elevado: 31,4% face aos 23,4 dos homens.Segundo
o barómetro, os hábitos de higiene oral da população também pioraram,
com 74,4% dos inquiridos a afirmar que escovam os dentes com frequência
(pelo menos duas vezes por dia), menos 4,4 p.p. O
relatório de 2024 também revela que apenas 2,5% dos inquiridos vai a
uma consulta através do SNS ou cheque dentista (+0,5 p.p.). Os restantes
fazem-no por via particular ou pelo seguro.Quanto
a menores de seis anos que nunca foram ao médico dentista, a
percentagem voltou a diminuir pelo terceiro ano consecutivo. Em 2021 era
73,4%, em 2022 baixou para 65,2%, número que se agravou em 2023 (53,5%)
e em 2024 (49,6%).Comentando os
resultados do estudo, o bastonário da OMD, Miguel Pavão, afirma que
“envergonham o país e refletem a ausência de investimento na saúde
oral”.“Os portugueses continuam à espera
que o Governo apresente o Programa Nacional de Saúde Oral, que seria
conhecido até ao final de 2024”, salienta o bastonário, citado num
comunicado da OMD.Miguel Pavão sustenta
que “enquanto a Organização Mundial da Saúde dá passos importantes no
reconhecimento do impacto da saúde oral na saúde geral e desafia os
países a trabalharem para garantir o acesso universal a estes cuidados, o
reforço do direito à saúde oral em Portugal continua estagnado”. “Não
podemos nunca dissociar os índices de saúde oral do facto de quase 20%
da população estar na pobreza. Uma população sem recursos e mecanismos
de acesso a condições de saúde oral enfrenta mais desigualdades sociais,
maior absentismo e mais problemas sociais e de autoestima”, alerta.Para
o bastonário, é urgente ter um programa prioritário para a saúde oral,
que promova a complementaridade entre os setores público, privado e
social e que envolva os ministérios da Saúde, da Segurança Social e da
Juventude, pelo papel que podem desempenhar na prevenção da saúde em
todas as fases da vida e na intervenção junto dos grupos de risco. “É fulcral investir, ter um orçamento para a saúde oral que permita executar e não apenas planear”, salienta.