Estudo indica que Açores devem criar estratégia concertada para atrair nómadas digitais
11 de abr. de 2023, 15:44
— Lusa
“É
urgente, no sentido de os Açores se posicionarem nesse mercado [nómadas
digitais], porque esse mercado está em expansão e temos ilhas que já
são referências como destinos. Os Açores, para aparecerem, devem
desenvolver uma estratégia concertada entre Governo Regional, câmaras
municipais, mesmo juntas de freguesia, associações locais, no sentido de
maximizar a experiência e a disponibilização de recursos para que essas
pessoas se possam instalar”, adiantou, em declarações aos jornalistas, o
coordenador da incubadora do Terinov, Rui Valadão.O
Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira (Terinov) é uma das
entidades parceiras do projeto Smart-Eco, financiado pelo programa
Interreg, da União Europeia, que envolve entidades dos Açores, da
Madeira e das Canárias, mas também de Cabo Verde, Senegal e Mauritânia.O
projeto, que visa a inovação tecnológica das empresas e a criação de um
ecossistema local digital nos territórios envolvidos, tem entre os
objetivos a criação de um programa para geração e atração de talentos
digitais.A Blast Think, empresa sedeada no
Terinov, realizou um estudo, apresentado hoje, em Angra do Heroísmo,
sobre o potencial da ilha Terceira na atração de nómadas digitais,
analisando o exemplo de outras ilhas ultraperiféricas, como
Fuerteventura, Canárias ou Madeira.“Foi
feito um mapeamento de condições, em termos de locais para eventualmente
esses nómadas digitais se instalarem, de onde trabalharem, onde
ficarem. Mas foi um estudo feito de dentro para dentro. Foram
consultados alguns nómadas, mas ainda não temos uma amostra
significativa que nos permita tirar conclusões”, adiantou Rui Valadão.A
Madeira, por exemplo, aproveitou a pandemia para implementar uma
estratégia de captação de “turistas formais”, fazendo um investimento na
Costa do Sul, para albergar nómadas digitais.“Não
é só o alojamento, é ter disponibilização de serviços de qualidade,
nomeadamente internet, onde eles possam desenvolver a sua atividade”,
explicou o coordenador da incubadora do Terinov.Segundo
Rui Valadão, os Açores não têm de seguir exatamente o mesmo modelo, mas
devem definir uma estratégia, coordenada entre várias entidades, para
realçar as suas condições de atratividade.O
executivo açoriano já anunciou que está a trabalhar num projeto piloto,
chamado DNA Azores, que prevê, entre outras medidas, a criação de uma
plataforma online para rastrear nómadas digitais, de uma rede de espaços
de ‘co-working’ e de um sistema de recompensas.“Numa
fase inicial, acho que [o Governo Regional] deve fazer o que está a
fazer, mas depois deve haver uma materialização, através de uma
comunicação consistente e abrangente, porque os nómadas podem vir de
qualquer lado. Devem utilizar os projetos que já têm algum espaço no
mercado, para fazer chegar a palavra”, salientou o coordenador da
incubadora do Terinov.Apesar de não serem
um “destino de praia, diversão e serviços turísticos” como outras
regiões estudadas, os Açores têm as suas “particularidades”, que podem
atrair outro tipo de nómadas digitais.“Os
Açores têm condições, seja a proximidade com a natureza, seja a
possibilidade de trabalhar remotamente no meio do Atlântico, porque há
pessoas que são atraídas por esse tipo de condições. Os Açores têm a sua
posição no mercado. Ainda carece de validação”, frisou Rui Valadão.