Estudo destaca eficácia de áreas marinhas protegidas muito extensas
7 de ago. de 2025, 16:45
— Lusa
Com 640.000
quilómetros quadrados (são consideradas muito extensas as áreas
protegidas com uma área de 100.000 km2 ou mais), a AMP das ilhas Chagos
foi criada em 2010 e nela estão proibidas a pesca comercial e as
atividades mineiras.Os cientistas
acompanharam o movimento de espécies de tartarugas marinhas, como a
ameaçada de extinção tartaruga-de-pente ('Eretmochelys imbricata'), de
raias-manta-de-recife ('Mobula alfredi') e diversas aves marinhas.As
áreas marinhas protegidas "são frequentemente concebidas para proteger
os recursos locais, como os recifes de coral e a vida selvagem
associada", mas o trabalho também demonstra "a sua necessidade para
proteger animais" com deslocações de grande alcance, indicou Alice
Trevail, investigadora da Universidade de Exeter e uma das autoras do
estudo, à agência France-Presse.Os animais
estudados permaneceram quase exclusivamente (95%) dentro da área
protegida, apesar dos seus movimentos relacionados com a alimentação,
reprodução ou hábitos migratórios locais.Os
investigadores também analisaram com modelos a eficácia de uma área
mais pequena, de 100.000 km², tendo considerado que aquela se mantém,
dado que 97% dos pontos de migração de raias-manta e 94% dos das
tartarugas ficaram localizados dentro da área protegida.No entanto, em relação às aves marinhas, que percorrem distâncias maiores, a percentagem de pontos de passagem desce para 59%.Para
os autores, as conclusões da investigação mostram a importância destas
áreas, cuja meta, estabelecida pela ONU em 2022, é de proteção de 30% do
mar até 2030.A propósito, lembram que os
níveis de proteção são diferentes entre as AMP, continuando a ser
autorizadas em algumas delas atividades prejudiciais para a
biodiversidade, como a pesca.Consideram
ainda que os resultados sobre a AMP de Chagos são "particularmente
relevantes" tendo em conta a iminente mudança de soberania na região.Em
maio, o Reino Unido assinou um acordo para devolver o Arquipélago de
Chagos às Maurícias, prevendo a manutenção da base militar Diego Garcia
(conjunta com os Estados Unidos) numa das ilhas desta região
estratégica.A ministra do Ambiente, Maria
da Graça Carvalho, anunciou a 11 de junho, durante a terceira
conferência da ONU sobre o Oceano (UNOC3), a criação da AMP do Banco de
Gorringe, a cerca de 200 quilómetros a sudoeste do Cabo de S. Vicente,
no Algarve, com uma área de cerca de 23.000 quilómetros quadrados.Em
outubro de 2024, a Assembleia Regional dos Açores aprovou a criação da
Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores (RAMPA), com uma área de
287.000 quilómetros quadrados, abrangendo cerca de 30% do mar do
arquipélago. Metade desta área será totalmente protegida e a outra
metade terá nível de proteção alta.