Estudo defende novas soluções construtivas para diminuir impacto dos incêndios
1 de ago. de 2022, 12:18
— Lusa/AO Online
O
trabalho, que junta vários grupos de investigação da UC (Engenharia,
Geografia, Economia e Direito) foca-se “na promoção de um ambiente
construído sustentável, resistente e resiliente para mitigar os impactos
diretos e indiretos, a nível económico, social e humano, dos incêndios
florestais”. Citado em nota de imprensa
enviada à agência Lusa, Hélder Craveiro, coordenador do projeto e
investigador no Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de
Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), afirmou que o
estudo tem como grande objetivo “responder de forma direta aos graves
problemas que surgiram nas últimas décadas por falta de planeamento e
ordenamento do território”. Os primeiros
resultados do projeto revelam que a ocorrência de incêndios florestais
junto de zonas urbanas “obriga ao desenvolvimento de novas soluções
construtivas resistentes ao fogo em zonas urbanas de risco de exposição
agravado, com a implementação de normas de construção para a interface
urbano-florestal recorrendo a análises baseadas no desempenho, mitigando
as vulnerabilidades dos edifícios a eventos extremos”, acrescentou. Além
disso, a equipa da UC defende como “fundamental” que seja feita a
caracterização da envolvente dos perímetros urbanos, “identificando a
sua suscetibilidade a incêndios florestais, para implementação de
medidas mitigadoras”. Foram também
identificados os materiais usados na construção que são “mais
vulneráveis” ao fogo e que, de acordo com Hélder Craveiro,
“infelizmente, proliferam no nosso país”, como por exemplo os painéis
sandwich com núcleo de poliuterano (um polímero usado em espumas rígidas
ou flexíveis, entre outros materiais), utilizados em revestimentos de
fachadas e coberturas de edifícios. Designado
Interface Segura, o projeto “possui uma componente experimental muito
forte”, incluindo “múltiplos ensaios de campo de incêndio real”,
realizados em colaboração com a Escola Nacional de Bombeiros,
“beneficiando das práticas de treino de fogo controlado para
instrumentar e monitorizar o comportamento do fogo e avaliar o seu
impacto em edifícios”, acrescentou Hélder Craveiro. Com
base nesta informação recolhida no terreno e em ferramentas
informáticas de simulação para avaliar o comportamento do fogo ao nível
concelhio (macroescala) e ao nível dos edifícios (microescala), a equipa
de investigadores da UC identificou, através de um caso de estudo no
concelho de Coimbra, “as zonas mais vulneráveis a incêndios na interface
urbano-florestal”. “Esta abordagem
permite simular o desenvolvimento e propagação de incêndios e avaliar
com elevado nível de detalhe o impacto de cenários extremos, como os que
estamos a viver, no ambiente construído, avaliando as vulnerabilidades
de edifícios e infraestruturas”, relatou o especialista da FCTUC. Face
às alterações climáticas, o coordenador do estudo frisou que a
“frequência e severidade dos incêndios tenderá a aumentar, conduzindo à
extrema necessidade de implementação de medidas e reformas estruturais
ao nível do ambiente construído e da floresta nas zonas de interface
urbano-florestal, mitigando impactos diretos e indiretos nas
comunidades”. Esta abordagem, segundo
Hélder Craveiro, permitirá, a curto ou médio prazo, “reduzir riscos para
as comunidades” e possibilitar “uma reforma florestal sólida e eficaz
(reformulação da paisagem, compartimentação e valorização florestal),
que naturalmente levará anos a ser concretizada”. Após
a conclusão do projeto, prevista para o final do ano, a equipa de
investigadores da UC pretende elaborar e enviar ao Governo e aos
municípios um documento “com recomendações para a implementação de
políticas, quer do ponto de vista do ambiente construído e gestão
florestal nas imediações de zonas urbanas, quer ao nível de resiliência
para as comunidades”.