Estudo da Deco revela famílias pouco satisfeitas com ensino a distância no 1.º ciclo
26 de ago. de 2020, 11:49
— Lusa/AO Online
Segundo um inquérito realizado pela associação
de defesa do consumidor no final de junho, a maioria dos 537 pais
inquiridos não avaliou de forma positiva o novo modelo de ensino imposto
pela pandemia da covid-19.Em meados de
março, o Governo decidiu encerrar todos os estabelecimentos de ensino,
como forma de conter a propagação do novo coronavírus, e todos os
alunos, desde o pré-escolar ao ensino superior, foram para casa.No
caso do ensino básico, as crianças não puderam regressar à escola e o
3.º período foi passado à distância, com aulas ‘online’ e os professores
num ecrã.Para alguns pais com filhos no
1.º ciclo, o novo modelo de ensino foi pouco satisfatório e os 537
encarregados inquiridos pela Deco atribuíram uma classificação média de
5,8 numa escala de 0 a 10.Segundo os
resultados hoje divulgados pela associação, o apoio prestado às crianças
com necessidades educativas especiais foi aquele que mereceu por parte
das famílias uma avaliação mais negativa (2,5 em 10), sendo que apenas
5% dos pais referiu a realização de algum trabalho neste sentido.Entre
os aspetos menos satisfatórios, os encarregados de educação referiram
também as tarefas propostas pelos professores e as aulas por
videoconferência com outros docentes além do titular.Por
outro lado, as aulas por videoconferência e os vídeos gravados pelo
professor titular foram os aspetos positivos mais referidos, seguidos
das aulas televisivas na RTP Memória e do apoio suplementar dado pelos
docentes, que mereceram uma avaliação média de 5,8 e 5,5 em 10,
respetivamente.Da parte das crianças, a
experiência do ensino a distância parece não ter sido particularmente
positiva e se as saudades das escolas e dos amigos se fizeram sentir
pela maioria, a facilidade em acompanhar as atividades foi pouca.De
acordo com os resultados do inquérito, só um quarto das crianças do 1.º
ciclo ficou feliz com a mudança e 84% admitiriam sentir saudades da
escola, enquanto 91% manifestaram o mesmo sentimento em relação aos
colegas.Por outro lado, apenas um terço
dos alunos teve facilidade em concentrar-se durante as aulas ‘online’, a
que assistiram durante o 3.º período em casa maioritariamente através
do computador, e em trabalhar de forma autónoma com as plataformas
digitais.Ainda assim, a maioria (81%)
realizou todas as tarefas propostas que, segundo 40% dos pais, foram em
maior quantidade em comparação com aquilo que os professores propõem
habitualmente, mas apenas metade conseguiu fazê-lo sozinho.No
total, 72% dos pais referiram, por isso, que os filhos precisaram de
ajuda suplementar, sobretudo para esclarecer dúvidas durante o estudo
autónomo, mas também com explicações sobre a matéria e orientação para
seguir o plano de aulas diário.Cerca de
metade dos encarregados admitiu ainda que a aprendizagem em casa foi
mais difícil para as crianças que, na sua maioria, se manifestaram
preocupadas com a avaliação final.O
próximo ano letivo arranca entre 14 e 17 de setembro e nessa altura os
alunos já vão poder regressar à escola e ao ensino presencial, que será o
regime presencial durante os três períodos letivos.Caso
a situação epidemiológica volte a empurrar os alunos para casa, a
prioridade será para manter, sempre que possível, os 1.º e 2.º ciclos
nas escolas.