Estudo da biodiversidade insular tem de olhar para passado distante
22 de nov. de 2018, 18:05
— Lusa/AO Online
O
estudo, publicado na quarta-feira na revista Global Ecology and
Biogeography, “contradiz a maioria dos estudos na área, que consideram
apenas níveis do mar extremos registados num passado recente, há cerca
de 20 mil anos”, explica o comunicado enviado pelo Centro de
Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais.A
flutuação do nível do mar tem-se alterado ao longo de milhares de anos
entre muito baixo, durante períodos frios, e muito alto, durante
períodos quentes, influenciando “a riqueza e distribuição geográfica das
espécies que atualmente habitam estas ilhas”.“Hoje
em dia o nível do mar é relativamente alto, mas durante grande parte
dos últimos milhões de anos o clima foi mais frio e, por consequência, o
nível do mar era mais baixo do que atualmente”, esclarece o Centro de
Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais.Apesar
de ter em conta essas alterações, muita da investigação feita na área
da biodiversidade tem-se concentrado “nos níveis do mar atuais, ou
considerado um período específico e de curta duração do passado recente
da Terra como determinante para os padrões atuais de biodiversidade: o
Último Máximo Glacial, um período excecional que teve lugar há cerca de
20 mil anos quando os lençóis de gelo se encontravam na sua maior
extensão e, portanto, os níveis do mar se encontravam extremamente
baixos”.A
equipa, liderada por Sietze Norder, do Centro de Ecologia, Evolução e
Alterações Ambientais da Faculdade de Ciências da Universidade de
Lisboa, contou com a colaboração do Grupo de Biodiversidade da
Universidade dos Açores e olhou para dados sobre a riqueza de espécies
de caracóis terrestres e plantas com flores de 53 ilhas oceânicas
vulcânicas de 12 arquipélagos de todo o mundo, incluindo Açores,
Madeira, Galápagos, Canárias e Havai.A
combinação da informação recolhida com “dados sobre a ocorrência de
milhares de espécies permitiu aos investigadores explorar o papel da
dinâmica ambiental do passado na definição dos padrões atuais de
biodiversidade”.
Segundo o investigador principal, “as ilhas oceânicas vulcânicas são
locais excelentes para estudar o papel das flutuações do nível do mar a
longo prazo na modelação dos padrões de biodiversidade, pois são
habitadas por muitas espécies endémicas, que não ocorrem em mais nenhum
lugar do mundo. “Muitas
vezes estas espécies endémicas evoluíram numa ilha ao longo de grandes
escalas de tempo e, portanto, experienciaram vários ciclos de subida e
descida do nível do mar”, acrescenta o cientista.