Estudo contesta cálculos do Governo britânico para manter quarentena a turistas
Covid-19
22 de out. de 2020, 17:39
— Lusa/AO Online
O
estudo, realizado pelas consultoras Oxera e Edge Health e pelo
matemático Kit Yates, professor na Universidade de Bath, a pedido de um
grupo de companhias aéreas e aeroportos, põe em causa os cálculos da
direção geral de Saúde de Inglaterra (Public Health England, PHE),
usados pelo Governo para manter a política de obrigar todas as pessoas
que chegam do estrangeiro a ficar em isolamento durante duas semanas,
com exceção de alguns países e territórios considerados seguros. Desde
junho, quando foi imposta a política da quarentena, que o
primeiro-ministro, Boris Johnson, o ministro da Saúde, Matt Hancock, e o
ministro dos Transportes, Grant Shapps, invocaram o modelo da PHE para
argumentar que testes à chegada nos aeroportos só seriam capazes de
identificar uma pequena fração de infetados. O
novo estudo critica a estimativa usada pelas autoridades de saúde
porque considera que os testes só vão identificar doentes assintomáticos
ou que desenvolveram sintomas durante a viagem porque assume que
ninguém com sintomas viajaria de avião. "O
modelo da PHE pressupõe que todos os viajantes infetados e detetáveis
com um teste antes da partida não embarcam em voos para o Reino Unido.
Portanto, os 7% citados pelo governo representam apenas os viajantes que
se tornam detetáveis durante o voo. Em vez disso, a Edge Health e a
Oxera estimam que até 63% dos passageiros infetados que tentam entrar no
Reino Unido podem ser impedidos de fazê-lo com um esquema de teste",
refere um comunicado a propósito do estudo.O
diretor da Edge Health, George Batchelor, uma empresa de análise de
dados que trabalha para o serviço de saúde pública britânico (NHS),
afirma que o modelo atualmente usado pelo governo "resulta numa
subestimação da eficácia dos testes à chegada, levantando sérias
questões sobre o seu papel em sustentar a política governamental sobre o
teste de passageiros". A indústria da
aviação e turismo tem estado a pressionar o Governo britânico para
substituir o regime de quarentena por um sistema de testes a realizar à
chegada nos aeroportos, um modelo que já é usado em mais de 30 países
incluindo Alemanha ou Itália. Noutros
casos, como Portugal, passageiros de certos países têm de apresentar um
teste com resultado negativo realizado até 72 horas antes da partida.Na
semana passada, o ministro dos Transportes britânico disse estar em
estudo uma opção para encurtar o período de quarentena, que deixaria os
passageiros fazer um teste após uma semana e, se o resultado for
negativo, deixar o isolamento sem ter de cumprir os 14 dias até agora
exigidos.Porém, o presidente do aeroporto
de Heathrow, John Holland-Kaye, estabeleceu 01 de novembro como prazo
para este sistema ser implementado sob o risco de serem anunciados mais
milhares de despedimentos.O aeroporto, o
maior do Reino Unido, registou menos 5,5 milhões de passageiros em
setembro relativamente ao mês anterior, uma quebra de 82%, coincidindo
com o fim dos corredores de viagem internacionais abertos em julho e
agosto. Devido à segunda vaga da pandemia
covid-19, muitos dos cerca de 70 destinos isentos de quarentena foram de
novo considerados de risco, incluindo Portugal, que só esteve na lista
de países seguros durante três semanas.